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       Documento 12, O Universo Dos Universos
       Documento 13, As Esferas Sagradas Do Paraíso
       Documento 14, O Universo Central E Divino
       Documento 15, Os Sete Superuniversos-O Universo Central E Divino
       Documento 16, Os Sete Espíritos Mestres
       Documento 17, Os Sete Grupos De Espíritos Supremos
       Documento 18, As Personalidades Supremas Da Trindade
       Documento 19, Os Seres Coordenados Originários Da Trindade
       Documento 20, Os Filhos De Deus, Do Paraíso
       Documento 21, Os Filhos Criadores Do Paraíso
       Documento 22, Os Filhos Trinitarizados De Deus
       Documento 23, Os Mensageiros Solitários
       Documento 24, As Personalidades Mais Elevadas Do Espírito Infinito
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       Documento 28, Espíritos Ministradores Dos Superuniversos
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       Documento 35, Os Filhos De Deus Do Universo Local
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       Documento 37, As Personalidades Do Universo Local
       Documento 38, Os Espíritos Ministradores Do Universo Local
       Documento 39, As Hostes Seráficas
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       Documento 41, Aspectos Físicos Do Universo Local
       Documento 42, Energia - Mente E Matéria
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       Documento 45, A Administração Do Sistema Local
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       Documento 52, Épocas Planetárias Dos Mortais
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       Documento 58, O Estabelecimento Da Vida Em Urântia
       Documento 59, A Era Da Vida Marinha Em Urântia
       Documento 60, Urântia Durante A Era Da Vida Terrestre Primitiva
       Documento 61, A Era Dos Mamíferos Em Urântia
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       Documento 83, A Instituição Do Matrimônio
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       Documento 85, As Origens Da Adoração
       Documento 86, A Evolução Primitiva Da Religião
       Documento 87, Os Cultos Dos Fantasmas
       Documento 88, Fetiches, Encantos E Magias
       Documento 89, Pecado, Sacrifício E Expiação
       Documento 90, O Xamanismo – Curandeiros E Sacerdotes
       Documento 91, A Evolução Da Prece
       Documento 92, A Evolução Posterior Da Religião
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       Documento 94, Os Ensinamentos De Melquisedeque No Oriente
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O Livro de Urântia

Documento 99

Os Problemas Sociais da Religião


(1086.1) 99:0.1 É MANTENDO as menores ligações possíveis com as instituições seculares da sociedade que a religião pode concretizar a sua mais elevada minis-tração social. Em idades passadas, desde que as reformas sociais ficaram grandemente confinadas ao domínio moral, a religião não teve de ajustar a sua atitude a mudanças amplas nos sistemas econômico e político. O problema principal da religião foi o esforço para substituir o mal pelo bem, dentro da ordem social existente da cultura política e econômica. A religião, por isso, acabou tendendo a perpetuar, indiretamente, a ordem estabelecida da sociedade, a fomentar a manutenção do tipo existente de civilização.

(1086.2) 99:0.2 A religião, entretanto, não deveria estar diretamente empenhada, nem na criação de ordens sociais novas, nem na preservação das antigas. A verdadeira religião de fato opõe-se à violência, como técnica de evolução social, mas não se opõe aos esforços inteligentes da sociedade para adaptar os seus usos e costumes, ajustando as suas instituições às exigências novas de condições econômicas e culturais.

(1086.3) 99:0.3 A religião aprovou as reformas sociais ocasionais nos séculos passados, mas, no século vinte, ela é chamada, por necessidade, a enfrentar os ajustes devidos a uma reconstrução social abrangente e contínua. As condições de vida alteram-se tão rapidamente que as modificações institucionais devem ser grandemente aceleradas, e a religião deve, conseqüentemente, apressar a sua adaptação a essa ordem social nova e sempre mutante.

1. A Religião e a Reconstrução Social

(1086.4) 99:1.1 As invenções mecânicas e a disseminação do conhecimento estão modificando a civilização; certos ajustes econômicos e mudanças sociais tornaram-se imperativos, caso se queira evitar o desastre cultural. Essa ordem social nova e vindoura não se estabelecerá complacentemente ainda por um milênio. A raça humana deve reconciliar-se com uma série de mudanças, de ajustes e reajustes. A humanidade está a caminho de um destino planetário novo, ainda não revelado.

(1086.5) 99:1.2 A religião deve tornar-se uma poderosa influência para a estabilidade moral e o progresso espiritual, funcionando dinamicamente em meio a tais condições sempre em modificação e ajustes econômicos sem fim.

(1086.6) 99:1.3 A sociedade de Urântia jamais pode esperar estabelecer-se do modo como o fez em idades passadas. O barco social já levantou âncoras, saindo do abrigo das baías da tradição estabelecida; e já iniciou a travessia do alto-mar do destino evolucionário; e a alma do homem, como nunca dantes, na história do mundo, necessita examinar minuciosamente as suas cartas náuticas de moralidade e consultar meticulosamente a bússola da orientação religiosa. A missão suprema da religião, como influência social, é estabilizar os ideais da humanidade, durante esses tempos perigosos de transição entre uma fase e outra da civilização, e entre um nível e outro de cultura.

(1087.1) 99:1.4 A religião não tem novos deveres a cumprir, mas está convocada urgentemente a funcionar como um guia sábio e uma conselheira experiente, em todas essas situações humanas novas e velozmente mutáveis. A sociedade está-se tornando mais mecânica, compacta, complexa e criticamente interdependente. A religião deve funcionar no sentido de impedir que tais interassociações novas e íntimas se tornem retrógradas ou mesmo mutuamente destrutivas. A religião deve atuar como o sal cósmico, que impede que os fermentos do progresso destruam o sabor cultural da civilização. Apenas por meio do ministério da religião poderão essas novas relações sociais e perturbações econômicas resultar em irmandade durável.

(1087.2) 99:1.5 Um humanitarismo sem Deus pode ser, humanamente falando, um nobre gesto, mas a verdadeira religião é o único poder que pode fazer crescer, de um modo perdurável, a sensibilidade de um grupo social às necessidades e sofrimentos de outros grupos. No passado, a religião institucional podia permanecer passiva, enquanto o estrato mais elevado da sociedade fazia ouvidos surdos aos sofrimentos e à opressão dos estratos mais baixos e desamparados. Nos tempos modernos, contudo, essas ordens sociais mais baixas não são mais tão abjetamente ignorantes nem tão impotentes politicamente.

(1087.3) 99:1.6 A religião não deve tornar-se organicamente envolvida no trabalho secular de reconstrução social e reorganização econômica. Todavia, ela deve manter-se, de um modo ativo, à altura desses avanços da civilização, reafirmando com nitidez e vigor seus mandados morais, preceitos espirituais e filosofia progressiva de viver humano e sobrevivência transcendental. O espírito da religião é eterno, mas a forma da sua expressão deve ser reformulada toda vez que for revisado o dicionário da linguagem humana.

2. A Fraqueza da Religião Institucionalizada

(1087.4) 99:2.1 A religião institucionalizada não se pode permitir ter inspiração nem prover a liderança, dentro da reconstrução social e reorganização econômica iminentes em escala mundial, porque, infelizmente, se haja tornado mais ou menos algo como uma parte orgânica da ordem social e do sistema econômico destinados a passar por uma reconstrução. Apenas a religião real da experiência espiritual pessoal pode funcionar de um modo útil e criativo na presente crise da civilização.

(1087.5) 99:2.2 A religião institucionalizada está, no presente momento, num impasse, dentro de um círculo vicioso. Ela não pode reconstruir a sociedade, sem primeiro reconstruir-se a si própria; e, sendo uma parte tão integral da ordem estabelecida, não pode reconstruir-se a si própria antes que a sociedade haja sido radicalmente reconstruída.

(1087.6) 99:2.3 Os religiosos devem funcionar, na sociedade, na indústria e na política, como indivíduos, não como grupos, nem como partidos ou instituições. Um grupo religioso que presume funcionar como tal, em separado das atividades religiosas, imediatamente torna-se um partido político, uma organização econômica, ou uma instituição social. O coletivismo religioso deve limitar os seus esforços ao apoio das causas religiosas.

(1087.7) 99:2.4 Os religiosos não têm mais valor nas tarefas de reconstrução social que os não-religiosos, salvo pelo fato de que a religião deles pode haver-lhes conferido uma previsão cósmica maior e pode havê-los dotado com aquela sabedoria social superior que nasce do desejo sincero de amar a Deus acima de tudo e amar a cada homem como a um irmão no Reino celeste. Uma ordem social ideal é aquela na qual todo homem ama seu semelhante como a si próprio.

(1087.8) 99:2.5 A igreja institucionalizada, no passado, pode ter parecido servir à sociedade, de modo a glorificar as ordens política e econômica estabelecidas, mas ela deve apressar-se em cessar com esse tipo de ação se quiser sobreviver. A sua única atitude decente consiste em ensinar a não-violência, a doutrina da evolução pacífica, no lugar da revolução violenta — a paz na Terra e a boa vontade entre todos os homens.

(1088.1) 99:2.6 A religião moderna acha difícil ajustar sua atitude, durante as rápidas alterações sociais, apenas porque permitiu a si própria tornar-se muito arraigadamente tradicionalista, dogmatizada e institucionalizada. A religião da experiência viva não encontra dificuldade em manter-se à frente de todos esses desenvolvimentos sociais e perturbações econômicas, em meio aos quais ela sempre funciona como um estabilizador moral, um guia social e um piloto espiritual. A verdadeira religião transporta, de uma idade para outra, aquela cultura que vale a pena e aquela sabedoria que nasce da experiência de conhecer a Deus e esforçar-se para ser como Ele.

3. A Religião e o Religioso

(1088.2) 99:3.1 O cristianismo inicial foi inteiramente isento de qualquer envolvimento civil, de engajamentos sociais e alianças econômicas. Apenas posteriormente o cristianismo institucionalizado tornou-se uma parte orgânica da estrutura política e social da civilização ocidental.

(1088.3) 99:3.2 O Reino do céu não é nem de ordem social nem de ordem econômica; é uma fraternidade exclusivamente espiritual, de indivíduos sabedores de Deus. Bem verdade é que tal fraternidade, em si própria, seja um fenômeno social novo e surpreendente, acompanhado de repercussões políticas e econômicas espantosas.

(1088.4) 99:3.3 O religioso tem compaixão pelo sofrimento social e preocupação com a injustiça civil, não se isola do pensamento econômico, nem é insensível à tirania política. A religião influencia a reconstrução social diretamente, por espiritualizar e idealizar o cidadão individualmente. Indiretamente, a civilização cultural é influenciada pela atitude desses indivíduos religiosos, quando eles se tornam membros ativos e influentes de vários grupos sociais, morais, econômicos e políticos.

(1088.5) 99:3.4 Para atingir-se uma civilização altamente elevada em termos culturais, torna-se necessário que se forme, primeiro, o tipo ideal de cidadão e, então, os mecanismos sociais adequados e ideais, por meio dos quais essa cidadania pode controlar as instituições econômicas e políticas de uma sociedade humana tão avançada.

(1088.6) 99:3.5 A igreja, tomada de um excesso de sentimentalidade falsa, há muito tem ministrado aos infelizes e menos favorecidos, e isso tem sido um bem; mas esse mesmo sentimento tem levado à perpetuação imprudente de linhagens degeneradas racialmente, o que tem retardado imensamente o progresso da civilização.

(1088.7) 99:3.6 Muitos indivíduos reconstrutivistas sociais, ainda que repudiando veementemente a religião institucionalizada, são, afinal, zelosamente religiosos na propagação das suas reformas sociais. E assim é que a motivação religiosa pessoal, e mais ou menos não reconhecida, está exercendo um grande papel no programa atual de reconstrução social.

(1088.8) 99:3.7 A maior fraqueza de todo esse tipo não reconhecido e inconsciente de atividade religiosa é que se encontra incapacitado de fazer proveito da crítica religiosa aberta e, portanto, de alcançar níveis proveitosos de autocorreção. É um fato que a religião não cresce, a menos que seja disciplinada pela crítica construtiva, amplificada pela filosofia, purificada pela ciência e nutrida na comunhão leal.

(1088.9) 99:3.8 Há sempre o grande perigo de a religião se tornar distorcida e desvirtuada, na busca de falsas metas, exatamente como quando, nos tempos de guerra, cada nação em contenda prostitui a sua religião na propaganda militar. O zelo sem amor sempre causa danos à religião, do mesmo modo que a perseguição desvia as atividades da religião para a realização de algum impulso sociológico ou teológico.

(1089.1) 99:3.9 A religião pode manter-se isenta de alianças seculares nefastas apenas se:

(1089.2) 99:3.10 1. Tiver uma filosofia criticamente corretiva.
(1089.3) 99:3.11 2. Mantiver-se livre de quaisquer alianças de ordem social, econômica e política.
(1089.4) 99:3.12 3. Tiver comunidades criativas, confortadoras e que se desenvolvam na expansão do amor.
(1089.5) 99:3.13 4. Intensificar o progressivo discernimento espiritual e a apreciação dos valores cósmicos.
(1089.6) 99:3.14 5. Impedir o fanatismo por meio das compensações da atitude mental científica.

(1089.7) 99:3.15 Os religiosos, enquanto agrupamento, não devem nunca se ocupar de outra coisa além da religião, se bem que qualquer dos religiosos, como cidadão individual, possa tornar-se o líder destacado de algum movimento de reconstrução social, econômica ou política.

(1089.8) 99:3.16 É papel da religião criar, sustentar e inspirar no cidadão individual uma lealdade cósmica, que o conduza a alcançar o êxito de avançar em todos esses serviços sociais, difíceis, mas desejáveis.

4. As Dificuldades da Transição

(1089.9) 99:4.1 A religião genuína empresta ao religioso uma fragrância social especial e gera o discernimento íntimo sobre a comunidade humana. Entretanto, a formalização de grupos religiosos, muitas vezes, destrói os mesmos valores pela promoção dos quais o grupo foi organizado. A amizade humana e a religião divina são mutuamente úteis e significativamente iluminadoras, desde que cresçam de um modo igual e harmônico. A religião dá um significado novo a todas as associações grupais — famílias, escolas e clubes. Confere novos valores aos jogos e exalta todo o verdadeiro humor.

(1089.10) 99:4.2 A liderança social é transformada por meio do discernimento espiritual; a religião impede todos os movimentos coletivos de perderem de vista seus verdadeiros objetivos. Assim como as crianças, a religião é a grande unificadora da vida da família, desde que seja de uma fé viva e crescente. A vida familiar não pode existir sem crianças; pode ser vivida sem religião, mas, se assim for, as dificuldades dessa associação humana íntima ficam enormemente multiplicadas. Durante as primeiras décadas do século vinte, é a vida da família, junto com a experiência religiosa pessoal, que mais sofre com a decadência conseqüente da transição entre as antigas lealdades religiosas e os novos significados e valores que emergem.

(1089.11) 99:4.3 A verdadeira religião é um caminho de vida, cheio de significados, que se coloca dinamicamente face a face com o lugar-comum das realidades da vida diária. Todavia, se a religião deve estimular o desenvolvimento individual do caráter e aumentar a integração da personalidade, ela não deve ser padronizada. Se for para estimular a apreciação da experiência e servir de valor de atração, ela não deve ser estereotipada. Se a religião deve promover lealdades supremas, não deve ser demasiado formal.

(1089.12) 99:4.4 Não importa que sublevações possam acompanhar o crescimento social e econômico da civilização, a religião será genuína e digna se fomentar, para o indivíduo, uma experiência na qual prevaleça a soberania da verdade, da beleza e da bondade; pois esta ai o verdadeiro conceito espiritual da suprema realidade. E esta, por meio do amor e da adoração, torna-se significativa na irmandade dos homens e na filiação a Deus.

(1090.1) 99:4.5 Afinal, é aquilo em que se crê, mais do que aquilo que se conhece, o que determina a conduta e rege as atuações pessoais. O conhecimento puramente factual exerce uma influência muito pequena sobre o homem mediano, a menos que esse conhecimento seja emocionalmente ativado. No entanto, a ativação da religião é supra-emocional, unificando toda a experiência humana em níveis transcendentais, por meio do contato com energias espirituais e a liberação dessas energias espirituais na vida mortal.

(1090.2) 99:4.6 Durante os tempos de instabilidade psicológica do século vinte, em meio às perturbações econômicas, às contracorrentes morais e às violentas marés sociológicas dos ciclones que são transições para uma era científica, milhares e milhares de homens e mulheres, tornaram-se humanamente desajustados, ficando ansiosos, impacientes, temerosos, incertos e instáveis; e como nunca antes, na história do mundo, necessitam do consolo e da estabilidade de uma religião sadia. Em meio a essa realização científica e ao desenvolvimento mecânico sem precedentes pairam a estagnação espiritual e o caos filosófico.

(1090.3) 99:4.7 Não há perigo de que a religião se torne, mais e mais, uma questão privada — uma experiência pessoal — , desde que ela não perca sua motivação de serviço social altruísta e amoroso. A religião tem sofrido muitas influências secundárias: da mistura súbita de culturas, da interfusão de credos, da diminuição da autoridade eclesiástica, das alterações sofridas pela vida familiar, além das da urbanização e mecanização no mundo.

(1090.4) 99:4.8 O grande risco espiritual que o homem corre consiste no progresso parcial, no crescimento incompleto realizado às pressas: o abandono das religiões evolucionárias do medo, sem ter imediatamente ao seu alcance a religião reveladora do amor. A ciência moderna, particularmente a psicologia, tem enfraquecido tão somente aquelas religiões muito amplamente dependentes do medo, da superstição e da emoção.

(1090.5) 99:4.9 A transição é sempre acompanhada de confusão, e haverá pouca tranqüilidade no mundo religioso antes que termine a grande luta atual entre as três filosofias da religião:

(1090.6) 99:4.10 1. A crença espiritista (numa Deidade providencial), de tantas religiões.
(1090.7) 99:4.11 2. A crença humanista e idealista de muitas filosofias.
(1090.8) 99:4.12 3. As concepções mecanicistas e naturalistas de quantas ciências.

(1090.9) 99:4.13 Essas três abordagens parciais da realidade do cosmo devem finalmente tornar-se harmonizadas por apresentações reveladoras da religião, da filosofia e da cosmologia que retratem a existência trina do espírito, da mente e da energia; as quais procedem da Trindade do Paraíso e alcançam a unificação, no tempo-espaço, dentro da Deidade do Supremo.

5. Os Aspectos Sociais da Religião

(1090.10) 99:5.1 Conquanto a religião seja uma experiência espiritual exclusivamente pessoal — conhecer a Deus como um Pai, o corolário dessa experiência — conhecer o homem como um irmão — requer o ajustamento do eu a outros eus; e isso envolve o aspecto social ou grupal da vida religiosa. A religião é antes um ajustamento interior ou pessoal, e torna-se, então, uma questão de serviço social ou de ajustamento grupal. O fato de o homem ser gregário determina, forçosamente, que os grupos religiosos venham à existência. O que acontece a esses grupos religiosos depende muito de uma liderança inteligente. Na sociedade primitiva, o grupo religioso não foi sempre muito diferente dos grupos econômicos ou políticos. A religião tem sido sempre um agente conservador da moral e estabilizador da sociedade. E isso ainda é verdade, não obstante muitos socialistas e humanistas modernos ensinarem o contrário.

(1091.1) 99:5.2 Deveis ter sempre em mente que a verdadeira religião existe para vos fazer conhecer a Deus como o vosso Pai, e ao homem como vosso irmão. A religião não é uma crença escrava em ameaças de punição, nem em promessas mágicas de recompensas místicas futuras.

(1091.2) 99:5.3 A religião de Jesus é a influência mais dinâmica que jamais estimulou a raça humana. Jesus abalou a tradição, destruiu o dogma e convocou a humanidade à realização dos seus ideais mais elevados no tempo e na eternidade — ser perfeito, como o próprio Pai no céu é perfeito.

(1091.3) 99:5.4 A religião tem pouca chance de funcionar, a menos que o grupo religioso fique separado de todos os outros grupos — o agrupamento social dos membros espirituais do Reino do céu.

(1091.4) 99:5.5 A doutrina da depravação total do homem destruiu muito do potencial que a religião tem para produzir as repercussões sociais de natureza elevadora e de valor de inspiração. Jesus procurou restaurar a dignidade do homem, quando declarou que todos os homens são filhos de Deus.

(1091.5) 99:5.6 Qualquer crença religiosa que seja eficaz na espiritualização do crente certamente terá repercussões poderosas na vida social de tal religioso. A experiência religiosa, infalivelmente, produz os “frutos do espírito” na vida diária do mortal que é guiado pelo espírito.

(1091.6) 99:5.7 Tão certamente quanto compartilham suas crenças religiosas, os homens criam grupos religiosos de alguma espécie, que finalmente gerarão metas comuns. Algum dia, os religiosos deixarão de tentar reunir-se baseados em opiniões psicológicas e crenças teológicas comuns, efetivando antes uma cooperação real, baseada na unidade de ideais e de propósitos. As metas, mais do que as crenças, é que devem unificar os religiosos. Já que a verdadeira religião é uma questão de experiência espiritual pessoal, torna-se inevitável que cada religioso, individualmente, deva ter a sua interpretação própria e pessoal da realização dessa experiência espiritual. Que o termo “fé” represente a relação individual com Deus, mais do que a formulação da crença naquilo que algum grupo de mortais tenha sido capaz de escolher como sendo uma atitude religiosa em comum. “Tu tens fé? Então, que a mantenha para ti próprio.”

(1091.7) 99:5.8 À fé interessa apenas captar os valores ideais; e isso é demonstrado na declaração feita no Novo Testamento de que a fé é a essência das coisas pelas quais se espera, e a evidência das coisas que não se vêem.

(1091.8) 99:5.9 O homem primitivo pouco esforço fez para colocar suas convicções religiosas em palavras. A sua religião era antes dançada, mais do que pensada. Os homens modernos têm imaginado muitos credos e criado muitos critérios para testar a fé religiosa. Os religiosos do futuro deverão viver a sua religião e dedicar-se ao serviço sincero da irmandade dos homens. É chegada a hora de o homem ter uma experiência religiosa tão pessoal e tão sublime que só possa ser compreendida e expressa por “sentimentos que são profundos demais para serem expressos por meio de palavras”.

(1091.9) 99:5.10 Jesus não exigiu que os seus seguidores se reunissem periodicamente e recitassem fórmulas rituais indicadoras das suas crenças comuns. Ele apenas ordenou que se reunissem para fazer algo, factualmente — compartilhar da ceia comunitária em lembrança da sua vida de auto-outorga em Urântia.

(1091.10) 99:5.11 Que erro, não cometem os cristãos, quando, ao apresentarem Cristo como o ideal supremo da liderança espiritual, ousam exigir que homens e mulheres, conscientes de Deus, rejeitem a liderança histórica dos homens conhecedores de Deus que contribuíram para a sua iluminação particular, nacional ou racial, em épocas passadas.

6. Religião Institutional

(1092.1) 99:6.1 O sectarismo é uma doença da religião institucionalizada, enquanto o dogmatismo é uma escravização da natureza espiritual. De longe, é melhor ter uma religião sem uma igreja, do que uma igreja sem religião. O tumulto religioso do século vinte não indica, em si e por si mesmo, uma decadência espiritual. A confusão vem antes do crescimento, tanto quanto antes da destruição.

(1092.2) 99:6.2 Há um propósito, de fato, na socialização da religião. É propósito das atividades religiosas grupais dramatizar as lealdades à religião, exagerar as seduções da verdade, da beleza e da bondade; fomentar as atrações dos valores supremos; elevar os serviços feitos na fraternidade altruísta; glorificar os potenciais da vida familiar; promover a educação religiosa; prover o conselho sábio e a orientação espiritual; e encorajar a adoração grupal. E todas as religiões vivas encorajam a amizade humana, conservam a moralidade, promovem o bem-estar da comunidade, e facilitam a disseminação do evangelho essencial das suas respectivas mensagens de salvação eterna.

(1092.3) 99:6.3 No entanto, quando a religião torna-se institucionalizada, porém, o seu poder para o bem fica reduzido, ao passo que as possibilidades para o mal se tornam grandemente multiplicadas. Os perigos da religião formalizada são: a fixação das crenças e a cristalização dos sentimentos; a acumulação de direitos e interesses adquiridos com o crescimento da secularização; a tendência para a padronização e a fossilização da verdade; o desvio da religião para o serviço da igreja, em vez do serviço de Deus; a inclinação dos líderes para tornarem-se administradores, em vez de ministradores; a tendência a formar seitas e divisões competitivas; o estabelecimento de uma autoridade eclesiástica opressiva; a afirmação da atitude aristocrática tipo “povo-escolhido”; o estímulo ao surgimento de idéias falsas e exageradas sobre o sagrado; a transformação da religião em algo rotineiro e a petrificação da adoração; a tendência a venerar o passado e ignorar as solicitações do presente; o fracasso em fazer interpretações atuais da religião; o envolvimento com as funções das instituições seculares; a criação do mal que é a discriminação por castas religiosas; o perigo de a religião transformar-se num juiz ortodoxo intolerante; o fracasso em manter vivo o interesse da juventude aventurosa e a perda gradativa da mensagem salvadora do evangelho da salvação eterna.

(1092.4) 99:6.4 A religião formal restringe os homens nas suas atividades espirituais pessoais, em vez de liberá-los para o serviço mais elevado de edificadores do Reino.

7. A Contribuição da Religião

(1092.5) 99:7.1 Embora as igrejas e todos os outros grupos religiosos devam permanecer distantes de todas as atividades seculares, ao mesmo tempo a religião não deve fazer nada para impedir ou retardar a coordenação social das instituições humanas. A vida deve continuar a crescer na sua significação; o homem deve continuar a sua reforma da filosofia e o seu esclarecimento da religião.

(1092.6) 99:7.2 A ciência política deve efetuar a reconstrução da economia e da indústria por meio das técnicas que aprende das ciências sociais e pela luz do discernimento interior e dos motivos proporcionados pelo viver religioso. Em toda reconstrução social, a religião proporciona uma lealdade estabilizadora a um objetivo transcendente, a uma meta firme que permanece além e acima do objetivo imediato e temporal. No centro das confusões de um meio ambiente que se transforma rapidamente, o homem mortal necessita da sustentação de uma vasta perspectiva cósmica.

(1093.1) 99:7.3 A religião inspira o homem a viver corajosa e jubilosamente na face da Terra; ela reúne a paciência e a paixão, a luz do discernimento interior e o zelo, a compaixão e o poder, os ideais e a energia.

(1093.2) 99:7.4 O homem nunca poderá decidir sabiamente sobre as questões temporais, nem transcender o egoísmo dos interesses pessoais, a menos que medite na presença real da soberania de Deus e conte com as realidades dos significados divinos e valores espirituais.

(1093.3) 99:7.5 A interdependência econômica e a irmandade social irão, finalmente, conduzir à fraternidade. O homem é naturalmente um sonhador, mas a ciência está convocando-o a ser sensato, de modo que a religião possa, em breve, estimulá-lo com muito menos perigo de precipitar reações fanáticas nele. As necessidades econômicas atrelam o homem à realidade, e a experiência religiosa pessoal coloca esse mesmo homem frente a frente com as realidades eternas de uma cidadania cósmica sempre em expansão e progresso.


(1093.4) 99:7.6 [Apresentado por um Melquisedeque de Nébadon.]

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