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Aparições Na Galiléia

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O Livro de Urântia

Documento 192

Aparições na Galiléia

(2045.1) 192:0.1 QUANDO os apóstolos saíram de Jerusalém indo à Galiléia, os líderes judeus haviam-se acalmado consideravelmente. Posto que Jesus aparecia apenas para a sua família de crentes no Reino, e já que os apóstolos estavam escondidos e não faziam nenhuma pregação pública, os governantes dos judeus concluíram que o movimento do evangelho afinal havia sido efetivamente derrotado. É claro, estavam desconcertados por causa dos rumores que cada vez mais se disseminavam de que Jesus tinha ressuscitado dos mortos e, de fato, eles dependiam dos guardas subornados para contradizer essas notícias mediante o relato inventado de que um bando dos seus seguidores havia levado o corpo.

(2045.2) 192:0.2 Desse momento em diante, até que os apóstolos fossem dispersados, na maré montante da perseguição, Pedro foi reconhecido de maneira geral como o líder do corpo apostólico. Jesus jamais deu a ele tal autoridade, e os seus companheiros apóstolos nunca o elegeram formalmente para essa posição de responsabilidade; ele assumiu-a naturalmente e a mantinha pelo consentimento comum e também porque era o principal pregador dentre eles. Desse momento em diante a pregação pública tornou-se a função principal dos apóstolos. Após o seu retorno da Galiléia, Matias, a quem eles escolheram para tomar o lugar de Judas, tornou-se o tesoureiro.

(2045.3) 192:0.3 Durante a semana, eles permaneceram em Jerusalém; Maria, a mãe de Jesus, passou boa parte do tempo com as mulheres crentes que estavam alojadas na casa de José de Arimatéia.

(2045.4) 192:0.4 Nessa segunda-feira pela manhã, quando os apóstolos partiram para a Galiléia, João Marcos foi atrás deles. Continuou seguindo-os até fora da cidade e, quando haviam já passado por Betânia, atrevidamente ele aproximou-se, confiando que eles não o mandariam de volta.

(2045.5) 192:0.5 Os apóstolos pararam diversas vezes no caminho da Galiléia para contar a história do seu Mestre ressuscitado e, conseqüentemente, não chegaram em Betsaida senão muito tarde na noite da quarta-feira. E já era meio-dia da quinta- feira quando eles acordaram e aprontaram-se para compartilhar o desjejum.

1. A Aparição junto ao Lago

(2045.6) 192:1.1 Sexta-feira, 21 de abril, por volta das seis da manhã, o Mestre moroncial fez a sua décima terceira aparição, a primeira para os dez apóstolos na Galiléia, no momento em que o barco deles aproximou-se da margem, perto do local em que em geral se aportava em Betsaida.

(2045.7) 192:1.2 Depois de os apóstolos haverem passado a tardinha e as primeiras horas da noite de quinta-feira na casa de Zebedeu, à espera, Simão Pedro sugeriu que fossem pescar. Quando Pedro propôs a pescaria, todos os apóstolos decidiram ir junto. Durante a noite inteira jogaram as redes, mas não pegaram nenhum peixe. Não se importavam muito de não haverem pescado nada, pois tinham muitas experiências interessantes sobre as quais falar; coisas que lhes haviam acontecido muito recentemente em Jerusalém. Todavia, quando veio a luz do dia, eles decidiram voltar a Betsaida. E quando se aproximavam da margem, viram alguém de pé na praia, perto da amarração dos barcos, junto a uma fogueira. Inicialmente eles pensaram que fosse João Marcos que estivesse ali para dar as boas-vindas a eles e à sua pesca, mas, ao chegarem mais perto da margem, viram que estavam enganados — o homem era alto demais para ser João. Não ocorreu a nenhum deles que a pessoa na margem fosse o Mestre. Não compreendiam de todo por que Jesus queria encontrar-se com eles nos locais abertos das suas atividades anteriores e em contato com a natureza, longe dos ambientes fechados de Jerusalém e das suas ligações trágicas ao temor, traição e morte. Jesus havia dito a eles que, se fossem à Galiléia, os encontraria lá e estava para ali cumprir aquela promessa.

(2046.1) 192:1.3 Quando jogaram a âncora e se preparavam para entrar no pequeno barco, a fim de irem até a margem, o homem na praia interpelou-os: “Rapazes, pegaram alguma coisa?” E quando eles responderam: “Não”, ele falou de novo: “Jogai a rede do lado direito do barco, e encontrareis os peixes”. Ainda que não soubessem que era Jesus que se tinha dirigido a eles, em uma decisão unânime jogaram a rede como lhes tinha sido instruído e imediatamente ela ficou cheia, e tanto que quase não foram capazes de içá-la. Ora, João Zebedeu era de percepção rápida e, quando viu a rede tão pesada e carregada, ele percebeu que era o Mestre quem havia falado a eles. Quando esse pensamento veio à sua mente, ele inclinou-se e sussurrou a Pedro: “É o Mestre”. Pedro sempre fora um homem de agir sem indecisão e de devoção impetuosa; assim, quando João sussurrou aquilo no seu ouvido, rapidamente ele levantou-se e de um pulo jogou-se na água para chegar mais rápido ao lado do Mestre. Os seus irmãos chegaram pouco depois, dentro do barco pequeno, arrastando a rede de peixes atrás de si.

(2046.2) 192:1.4 Nessa altura, João Marcos já estava de pé e, vendo os apóstolos acercando-se da margem com a rede carregada, correu até a praia para saudá-los; e, quando viu onze homens em vez de dez, supôs que aquele a quem não reconhecia seria o Jesus ressuscitado e, diante dos dez, que permaneciam atônitos e em silêncio, o jovem correu até junto ao Mestre e, ajoelhando-se aos seus pés, disse: “Meu Senhor e meu Mestre”. E então Jesus falou, não como o havia feito em Jerusalém, quando os saudou dizendo: “A paz esteja convosco”; mas, com um tom familiar ele dirigiu-se a João Marcos: “Bem, João, estou contente de ver-te novamente e nesta alegre Galiléia, onde podemos reunir-nos com tranqüilidade. Fica conosco, João, e toma a tua refeição matinal”.

(2046.3) 192:1.5 Enquanto Jesus falava ao jovem, os dez apóstolos estavam tão surpresos e atônitos que se esqueceram de puxar a rede de peixes para a praia. E então Jesus disse: “Trazei o vosso peixe e preparai uns poucos para comermos. Já temos a fogueira e muito pão”.

(2046.4) 192:1.6 No momento em que João Marcos homenageava o Mestre, Pedro, por um momento, chocou-se com a visão dos carvões de fogo reluzentes ali na praia; a cena relembrava tão vividamente o fogo da meia-noite no pátio de Anás, onde ele havia negado ao Mestre, que ele sacudiu-se e, ajoelhando-se aos pés do Mestre, exclamou: “Meu Senhor e meu Mestre!”

(2046.5) 192:1.7 Então Pedro juntou-se aos camaradas que traziam a rede. Quando colocaram a pesca em terra firme, contaram os peixes, e havia 153 dos grandes. E então novamente foi cometido o erro de chamar a esse acontecimento de uma outra pescaria milagrosa. Não havia nenhum milagre ligado a esse episódio. Tinha sido meramente um exercício de presciência do Mestre. Ele sabia que os peixes estavam lá e desse modo indicou aos apóstolos onde jogar a rede.

(2047.1) 192:1.8 Jesus dirigiu-se a eles, dizendo: “Vinde agora, todos vós, para comer. Até mesmo os gêmeos devem sentar-se enquanto eu converso convosco; João Marcos preparará o peixe”. João Marcos trouxe sete peixes de bom tamanho, os quais o Mestre colocou no fogo e quando ficaram cozidos o rapaz serviu-os a cada um dos dez. Então Jesus partiu o pão e passou-o a João, que, por sua vez, o serviu aos apóstolos famintos. Quando todos eles estavam servidos, Jesus chamou João Marcos para sentar-se enquanto ele próprio servia o peixe e o pão ao rapaz. E, enquanto comiam, Jesus conversou com eles e rememorou as suas muitas experiências na Galiléia e nesse mesmo lago.

(2047.2) 192:1.9 Essa foi a terceira vez que Jesus manifestou-se aos apóstolos como um grupo. Inicialmente quando Jesus dirigiu-se a eles, perguntando se haviam pescado algum peixe, eles nem suspeitavam de quem fosse, porque era um fato comum a esses pescadores no mar da Galiléia, ao aproximarem-se da margem, ouvir uma pergunta assim, feita pelos mercadores de peixe de Tariquéia, que normalmente estavam ali para comprar o pescado fresco destinado aos estabelecimentos de secagem do peixe.

(2047.3) 192:1.10 Jesus conversou com os dez apóstolos e João Marcos por mais de uma hora, e então ele caminhou pela praia, falando com dois a dois deles — mas não eram os mesmos dois que antes ele havia enviado para pregar juntos. Os onze apóstolos haviam vindo de Jerusalém juntos, mas, quando se aproximavam da Galiléia, Simão zelote ficou mais deprimido ainda, de tal modo que, ao chegarem a Betsaida, ele deixou os irmãos e retornou para a sua casa.

(2047.4) 192:1.11 Antes de deixá-los nessa manhã, Jesus indicou que dois dos apóstolos deviam oferecer-se para ir até Simão zelote e trazê-lo de volta naquele mesmo dia. Pedro e André cuidaram disso.

2. Conversando com os Apóstolos Dois a Dois

(2047.5) 192:2.1 Quando acabaram de comer, e enquanto os outros permaneciam sentados em volta da fogueira, Jesus chamou Pedro e João para que fossem com ele dar uma caminhada pela praia. Enquanto caminhavam, Jesus perguntou a João: “João, tu me amas?” E quando João respondeu: “Sim, Mestre, de todo o meu coração”, o Mestre disse: “Então, João, deixa de lado a tua intolerância e aprende a amar os homens como eu te amei. Devota a tua vida a provar que o amor é a maior coisa neste mundo. É o amor de Deus que compele os homens a buscar a salvação. O amor é o ancestral de toda a bondade espiritual, a essência do que é verdadeiro e belo”.

(2047.6) 192:2.2 Jesus então se voltou para Pedro e perguntou: “Pedro, tu me amas?” Pedro respondeu: “Senhor, sabes que eu te amo com toda a minha alma”. Então Jesus disse: “Se me amas, Pedro, alimenta as minhas ovelhas. Não negligencies a ministração aos fracos, aos pobres e aos jovens. Prega o evangelho sem medo e sem preferências; lembra-te sempre de que Deus não tem preferência por ninguém. Serve aos teus semelhantes como eu tenho servido a ti; perdoa os teus companheiros mortais como eu te perdoei. Que a experiência te ensine o valor da meditação e o poder da reflexão inteligente”.

(2047.7) 192:2.3 Após haverem andado até um pouco mais adiante, o Mestre voltou-se para Pedro e perguntou: “Pedro, realmente me amas?” Nesse momento Simão disse: “Sim, Senhor, sabes que te amo, Mestre”. E novamente disse Jesus: “Então cuida bem do meu rebanho. Sê um pastor bom e verdadeiro para as ovelhas. Não traias a confiança que depositarem em ti. Não te deixes tomar de surpresa na mão do inimigo. Fica de guarda a todo instante — vigia e ora”.

(2047.8) 192:2.4 Quando haviam dado uns poucos passos mais, Jesus voltou-se para Pedro e, pela terceira vez, perguntou: “Pedro, tu me amas verdadeiramente?” E Pedro então, levemente ferido pela desconfiança aparente que o Mestre teria tido dele, disse, com muita emoção: “Senhor, sabes de todas as coisas e, portanto, sabes que real e verdadeiramente eu te amo”. Então Jesus disse: “Alimenta as minhas ovelhas. Não te esqueças do rebanho. Sê um exemplo e uma inspiração para todos os teus irmãos pastores. Ama o rebanho como eu te amei e te devota ao bem-estar dele, como eu devotei a minha vida ao teu bem-estar. E segue os meus passos até o fim”.

(2048.1) 192:2.5 Pedro interpretou essa última convocação ao pé da letra — como se devesse continuar seguindo atrás dele — e, dirigindo-se a Jesus, apontou para João, perguntando: “Se eu seguir a ti, o que fará esse homem?” E então, percebendo que Pedro não havia compreendido as suas palavras, Jesus disse: “Pedro, não te preocupes com o que os teus irmãos farão. Se eu quiser que João permaneça aqui, até quando eu voltar, depois que tu fores embora, em que isso te importa? Apenas estejas seguro de seguir os meus passos”.

(2048.2) 192:2.6 Essa observação difundiu-se entre os irmãos e foi recebida como uma declaração feita por Jesus de que João não morreria antes que o Mestre retornasse, como muitos pensavam e esperavam, para estabelecer o Reino em poder e glória. E essa interpretação das palavras de Jesus teve um papel importante para trazer Simão zelote de volta ao serviço e mantê-lo servindo.

(2048.3) 192:2.7 Quando eles voltaram para junto dos outros, Jesus saiu para caminhar e conversar com André e Tiago. Eles estavam a uma curta distância, quando Jesus disse a André: “André, tu confias em mim?” E quando o antigo dirigente dos apóstolos ouviu Jesus fazer uma tal pergunta, ele parou e respondeu: “Sim, Mestre, confio em ti com toda a certeza, e tu sabes que confio”. Então Jesus disse: “André, se confias em mim, confia ainda mais nos teus irmãos — até mesmo em Pedro. Eu confiei a liderança dos teus irmãos a ti, certa vez. Agora, que te deixo para ir ao meu Pai, deves confiar nos outros. Quando os teus irmãos começarem a dispersar-se por aí, em virtude de amargas perseguições, sê um conselheiro sábio e de muita consideração para com Tiago, o meu irmão na carne, quando colocarem nos ombros dele cargas tão pesadas que ele não terá experiência suficiente para suportar. E então continua confiando, pois não te faltarei. Quando tiveres terminado a tua tarefa aqui na Terra, tu virás até a mim”.

(2048.4) 192:2.8 Nesse momento Jesus voltou-se para Tiago, perguntando: “Tiago, tu confias em mim?” E é claro que Tiago respondeu: “Sim, Mestre, eu confio em ti do fundo do meu coração”. Então disse Jesus: “Tiago, se confiares mais em mim, tu serás menos impaciente com os teus irmãos. Se confiares em mim, isso te ajudará a ser compassivo com a irmandade dos crentes. Aprende a pesar as conseqüências das tuas palavras e atos. Lembra-te de que a colheita é feita segundo o que se planta. Ora pela tranqüilidade de espírito e cultiva a paciência. Essas graças, com a fé viva, sustentar-te-ão quando vier a hora de beber da taça do sacrifício. Mas nunca te desanimes; quando terminares aqui na Terra, também tu virás ter comigo”.

(2048.5) 192:2.9 Em seguida Jesus conversou com Tomé e Natanael. A Tomé ele disse: “Tomé, tu serves a mim?” Tomé respondeu: “Sim, Senhor, sirvo a ti agora e para sempre”. Então Jesus disse: “Se quiseres servir a mim, serve aos meus irmãos na carne como eu servi a ti. E não te canses desse bem-servir, mas persevera como quem foi ordenado por Deus para esse serviço de amor. Quando tiveres acabado o teu serviço comigo na Terra, servirás a mim na glória. Tomé, tu deves parar de duvidar; tu deves crescer na fé e no conhecimento da verdade. Acredita em Deus, como uma criança, e pára de agir tão infantilmente. Tem coragem; sê forte na fé e poderoso no Reino de Deus”.

(2049.1) 192:2.10 Nisso, dirigindo-se a Natanael, o Mestre indagou: “Natanael, é a mim que serves?” E o apóstolo respondeu: “Sim, Mestre, e com toda minha afeição”. Então disse Jesus: “Se serves, pois, a mim, com todo o coração, assegura-te de te consagrares ao bem-estar dos meus irmãos na Terra, com uma afeição incansável. Põe amizade no teu conselho e amor na tua filosofia. Serve ao teu semelhante como eu servi a ti. Sê fiel aos homens como eu vigiei por ti. Sê menos crítico; espera menos de alguns homens, e assim diminuirás a extensão da tua decepção. E quando o trabalho cá embaixo terminar, irás servir a mim no alto”.

(2049.2) 192:2.11 Depois disso, o Mestre conversou com Mateus e Filipe. A Filipe ele disse: “Filipe, tu obedeces a mim?” Filipe respondeu: “Sim, Senhor, obedecerei a ti ainda que me custe a vida”. Então disse Jesus: “Se queres obedecer-me, então vai às terras dos gentios e proclama este evangelho. Os profetas disseram-te que obedecer é melhor do que sacrificar. Pela fé te tornaste um filho do Reino, conhecedor de Deus. Não há senão uma lei a ser obedecida — que é o comando de seguir proclamando o evangelho do Reino. Pára de temer os homens; sê destemido ao pregar as boas-novas da vida eterna aos teus semelhantes, os quais permanecem languidamente nas trevas e que têm fome da luz da verdade. Filipe, não mais terás de ocupar-te com o dinheiro e com os bens. Agora estas livre para pregar as boas-novas, como os teus irmãos. E irei antes de ti e estarei contigo até o fim”.

(2049.3) 192:2.12 Já, falando a Mateus, o Mestre perguntou: “Mateus, está no teu coração obedecer a mim?” Mateus respondeu: “Sim, Senhor, estou plenamente dedicado a fazer a tua vontade”. Então disse o Mestre: “Mateus, se quiseres obedecer-me, vai ensinar a todos os povos este evangelho do Reino. Não mais proporcionarás aos teus irmãos as coisas materiais da vida; de agora em diante tu também irás proclamar as boas-novas da salvação espiritual. Doravante não tenhas em vista senão obedecer à missão de pregar este evangelho do Reino do Pai. Como eu fiz a vontade do Pai na Terra, do mesmo modo irás cumprir a missão divina. Lembra-te, tanto o judeu quanto o gentio são irmãos teus. Não temas a nenhum homem quando estiveres proclamando as verdades salvadoras do evangelho do Reino do céu. E para onde eu for, irás também em breve”.

(2049.4) 192:2.13 E então Jesus caminhou e conversou com os gêmeos Alfeus, Tiago e Judas, e, falando a ambos, perguntou: “Tiago e Judas, vós acreditais em mim?” E ambos responderam: “Sim, Mestre, nós acreditamos”. Em seguida, disse: “Vou deixar- vos em breve. Vedes que já vos deixei na carne. Permanecerei apenas um curto tempo nesta forma, antes de ir para o meu Pai. Vós acreditais em mim — sois meus apóstolos, e sempre o sereis. Continuai acreditando e lembrando da vossa ligação comigo quando eu não estiver mais aqui, e, quando, por acaso, voltardes ao trabalho que fazíeis antes de virdes viver comigo, não permitais nunca que uma mudança das vossas tarefas exteriores influencie a vossa lealdade. Tende fé em Deus, até o fim dos vossos dias na Terra. Nunca esqueçais de que, sendo filhos de Deus pela fé, todo o trabalho honesto do Reino é sagrado. Nada que um filho de Deus faça, pode ser comum. Trabalhai, portanto, de agora em diante, para Deus. E, quando terminardes esse trabalho, eu tenho outros mundos melhores onde, do mesmo modo, trabalhareis para mim. E em todos esses trabalhos, neste mundo e noutros mundos, eu trabalharei convosco, e o meu espírito residirá em vós”.

(2049.5) 192:2.14 Eram quase dez horas quando Jesus voltou da sua conversa com os gêmeos Alfeus e, ao deixar os apóstolos, ainda disse: “Adeus, até que os encontre todos no monte da vossa ordenação, amanhã ao meio-dia”. Depois de assim falar, ele desapareceu da vista deles.

3. No Monte da Ordenação

(2050.1) 192:3.1 Ao meio-dia do sábado, 22 de abril, os onze apóstolos reuniram-se como indicado, no monte perto de Cafarnaum, e Jesus apareceu entre eles. Essa reunião ocorreu no mesmo monte em que o Mestre os havia designado como seus apóstolos e como embaixadores do Reino do Pai na Terra. E essa foi a décima quarta manifestação moroncial do Mestre.

(2050.2) 192:3.2 Naquela ocasião os onze apóstolos ajoelharam-se em um círculo em volta do Mestre e ouviram-no repetir as missões deles, viram-no reproduzir a cena da ordenação, e do mesmo modo como eles foram selecionados para o trabalho especial do Reino. E, para eles, tudo isso foi como uma memória da sua primeira consagração ao serviço do Pai, exceto pela oração do Mestre. Quando o Mestre — o Jesus moroncial — orou, nesse momento, foi em um tom de majestade e com palavras tais de poder que os apóstolos nunca tinham antes ouvido. O Mestre agora falava com os governantes dos universos, como quem, no seu próprio universo, tivesse recebido nas suas mãos todo o poder e autoridade. E esses onze homens nunca esqueceram a experiência de re-consagração moroncial à promessa anterior, como embaixadores. O Mestre passou apenas uma hora nesse monte com os seus embaixadores e, depois de fazer uma despedida afetuosa a todos, desapareceu das suas vistas.

(2050.3) 192:3.3 E ninguém durante toda uma semana viu Jesus. Os apóstolos realmente não tinham a menor idéia do que fazer, não sabendo se o Mestre tinha ido para o Pai. Nesse estado de incerteza permaneceram em Betsaida. Tinham medo de ir pescar, e de que então ele viesse falar com eles, e que deixassem de vê-lo. Durante toda essa semana, Jesus esteve ocupado com as criaturas moronciais na Terra e com os assuntos da transição moroncial que ele experienciava neste mundo.

4. A Reunião à Beira do Lago

(2050.4) 192:4.1 A notícia das aparições de Jesus espalhava-se pela Galiléia, e a cada dia um número maior de crentes chegava à casa de Zebedeu para perguntar sobre a ressurreição do Mestre e para saber a verdade sobre essas tão comentadas aparições. Pedro, no início da semana, comunicou que uma reunião pública aconteceria junto ao lago no próximo sábado, às três da tarde.

(2050.5) 192:4.2 E assim, no sábado, 29 de abril, às três horas, mais de quinhentos crentes dos arredores de Cafarnaum estavam reunidos em Betsaida para ouvir Pedro pregando o seu primeiro sermão público desde a ressurreição. O apóstolo conseguiu o melhor de si e, quando acabou o seu eloqüente discurso, poucos dos seus ouvintes duvidavam de que o Mestre tivesse ressuscitado dos mortos.

(2050.6) 192:4.3 Pedro terminou o seu sermão dizendo: “Nós afirmamos que Jesus de Nazaré não está morto; declaramos que ele levantou-se da tumba; proclamamos que o vimos e falamos com ele”. No momento em que acabara de fazer essa declaração de fé, lá ao seu lado, em plena vista de toda aquela gente, o Mestre apareceu na forma moroncial e, dirigindo-se a eles em um tom familiar, disse: “A paz esteja convosco, e a minha paz eu a deixo convosco”. Depois de aparecer e de assim falar a eles, ele desapareceu da vista de todos. Essa foi a décima quinta manifestação moroncial do Jesus ressuscitado.

(2051.1) 192:4.4 Devido a certas coisas ditas aos onze apóstolos, enquanto estavam em conferência com o Mestre, no monte da ordenação, os apóstolos tiveram a impressão de que o seu Mestre iria em breve fazer uma aparição pública diante de um grupo de crentes da Galiléia, e que, depois que o tivesse feito, eles deveriam voltar para Jerusalém. Em conseqüência disso, logo cedo no dia seguinte, domingo, 30 de abril, os onze deixaram Betsaida indo para Jerusalém. Ensinaram e pregaram bastante no caminho, Jordão abaixo e, desse modo, não chegaram na casa dos Marcos em Jerusalém a não ser na quarta-feira, 3 de maio, bem tarde.

(2051.2) 192:4.5 Esse foi um triste retorno ao lar para João Marcos. Poucas horas antes de chegar em casa, o seu pai, Elias Marcos, morreu repentinamente de uma hemorragia no cérebro. Se bem que o pensamento na certeza da ressurreição dos mortos tivesse confortado em muito os apóstolos na sua tristeza, ao mesmo tempo lamentaram verdadeiramente a perda do seu bom amigo, que os havia apoiado fortemente mesmo nas horas de grandes problemas e decepções. João Marcos fez o que pôde para confortar a sua mãe e, falando por ela, convidou os apóstolos a continuarem fazendo da sua casa o seu lar. E os onze fizeram dessa sala de cima o seu centro de apoio até depois do Dia de Pentecostes.

(2051.3) 192:4.6 Os apóstolos propositalmente haviam chegado em Jerusalém depois do cair da noite para não serem vistos pelas autoridades judaicas. Nem apareceram publicamente no funeral de Elias Marcos. Durante todo o dia seguinte permaneceram silenciosamente reclusos nessa memorável sala de cima.

(2051.4) 192:4.7 Na quinta-feira à noite, os apóstolos tiveram um encontro maravilhoso nessa sala de cima e todos se comprometeram a sair na pregação pública do novo evangelho do Senhor ressuscitado, exceto Tomé, Simão zelote e os gêmeos Alfeus. Tinham já sido dados os primeiros passos no sentido da troca do evangelho do Reino — a filiação a Deus e a irmandade dos homens — , pela proclamação da ressurreição de Jesus. Natanael fez oposição a essa mudança no contexto da mensagem pública, mas ele não podia contrariar a eloqüência de Pedro, nem deter o entusiasmo dos discípulos, especialmente o das mulheres crentes.

(2051.5) 192:4.8 E assim, sob a vigorosa liderança de Pedro e antes que o Mestre ascendesse ao Pai, os seus bem-intencionados representantes começaram aquele processo sutil de substituir, gradual e seguramente, a religião de Jesus por uma forma nova e alterada de religião sobre Jesus.

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