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Últimas Aparições E Ascensão

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O Livro de Urântia

Documento 193

Últimas Aparições e Ascensão

(2052.1) 193:0.1 A DÉCIMA sexta manifestação moroncial de Jesus ocorreu na sexta-feira, 5 de maio à noite, no jardim de Nicodemos, por volta das nove horas. Nessa noite os crentes de Jerusalém haviam feito a primeira tentativa de congregarem-se, desde a ressurreição. Reunidos ali, naquele momento, encontravam- se os onze apóstolos, o grupo das mulheres e amigos e ainda cerca de cinqüenta outros discípulos importantes do Mestre, incluindo alguns gregos. Esses crentes estiveram conversando informalmente, por mais de meia hora; nisso, subitamente, o Mestre moroncial surgiu, plenamente visível, e começou imediatamente a instruí-los. Disse Jesus:

(2052.2) 193:0.2 “Que a paz esteja convosco. O grupo mais representativo de crentes — apóstolos e discípulos, homens e mulheres — para o qual eu apareci, desde o tempo da minha libertação da carne, é este. Agora, vos conclamo a testemunhar o que eu vos dissera de antemão, que a minha permanência em vosso meio deveria ter um fim; eu vos disse que, em breve, deveria voltar para o Pai. E, naquele momento, vos disse claramente que os principais sacerdotes e governantes dos judeus me entregariam, para que eu fosse levado à morte, e disse que ressuscitaria do túmulo. E por que, então, vos permitis assim ficar desconcertados, quando tudo isso de fato vem a acontecer? E por que ficar tão surpresos quando me levantei do túmulo ao terceiro dia? Não acreditastes em mim, porque ouvistes as minhas palavras sem compreender o significado delas.

(2052.3) 193:0.3 “Agora, todavia, deveis dar ouvidos às minhas palavras, para que não cometais novamente o erro de escutar os meus ensinamentos com a mente, enquanto, dentro de vossos corações, deixais de compreender os significados. Desde o começo da minha passagem, como um de vós, vos transmiti que o meu único propósito era revelar o Pai do céu para os filhos Dele, na Terra. Eu vivi a auto- outorga da revelação de Deus, para que vós pudésseis experienciar a carreira de conhecimento de Deus. Revelei Deus como vosso Pai no céu, e revelei a vós como filhos de Deus na Terra. É um fato que Deus ama os Seus filhos. Pela fé, na minha palavra, esse fato torna-se uma verdade eterna e viva nos vossos corações. Quando, pela fé viva, vos tornais divinamente conscientes de Deus, nasceis do espírito tal como filhos da luz e da vida, e da mesma vida eterna, por meio da qual ascendereis, no universo dos universos, e atingireis a experiência de encontrar Deus, o Pai, no Paraíso.

(2052.4) 193:0.4 “Eu exorto-vos a lembrar sempre de que a vossa missão, entre os homens, é de proclamar o evangelho do Reino — a realidade da paternidade de Deus e a verdade da filiação do homem. Proclamai toda a verdade das boas-novas, não uma parte apenas do evangelho da salvação. A vossa mensagem não mudou com a experiência da minha ressurreição. A filiação a Deus, pela fé, é ainda a verdade salvadora do evangelho do Reino. Deveis sair e pregar o amor de Deus e o serviço aos homens. O que o mundo mais necessita saber é: que os homens são filhos de Deus e que, pela fé, eles podem de fato compreender e experimentar, diariamente, essa verdade enobrecedora. A minha auto-outorga deveria ajudar todos os homens a saber que são filhos de Deus, mas esse conhecimento não será suficiente se eles não conseguirem captar pessoalmente, por meio da fé, a verdade salvadora de que eles são filhos espirituais vivos do Pai eterno. O evangelho do Reino interessa-se pelo amor do Pai e pelo serviço aos seus filhos na Terra.

(2053.1) 193:0.5 “Aqui, entre vós, compartilhais o conhecimento de que ressuscitei dos mortos, e isso não é estranho. Tenho o poder de sacrificar a minha vida e retomá-la; o Pai dá esse poder aos Seus Filhos do Paraíso. Deveríeis animar-vos, nos vossos corações, pelo conhecimento de que os mortos de uma idade entraram na ascensão eterna logo após haver eu deixado o novo túmulo de José. Vivi a minha vida na carne para mostrar como podeis, por meio do serviço do amor, tornar-vos reveladores de Deus aos vossos semelhantes, do mesmo modo que, amando-vos e servindo a vós, me tornei o revelador de Deus para vós. Entre vós eu vivi como o Filho do Homem, para que vós, e todos os outros homens, soubésseis que todos são de fato filhos de Deus. E, pois, ide agora a todo o mundo pregar este evangelho do Reino do céu a todos os homens: Amar os homens como eu vos tenho amado; servir aos semelhantes mortais, como vos servi. De graça recebestes e de graça deveis dar. Devereis permanecer em Jerusalém apenas até que eu vá para o Pai, e até que vos envie o Espírito da Verdade. Ele irá conduzir-vos até a verdade mais ampla, e eu irei convosco a todo o mundo. Estarei sempre convosco, e a minha paz eu a deixo convosco”.

(2053.2) 193:0.6 Quando acabou de falar-lhes, o Mestre desapareceu da sua vista. E já era quase o romper do dia quando esses crentes dispersaram-se; havendo permanecido juntos durante toda a noite, falando com seriedade sobre as exortações do Mestre e refletindo sobre tudo o que havia acontecido. Tiago Zebedeu e outros dos apóstolos expuseram-lhes sobre a experiência deles com o Mestre moroncial na Galiléia e explicaram como ele havia, por três vezes, aparecido a eles.

1. A Aparição em Sichar

(2053.3) 193:1.1 Por volta das quatro horas da tarde de sábado, 13 de maio, o Mestre apareceu para Nalda e cerca de vinte e cinco crentes samaritanos perto do poço de Jacó, em Sichar. Os crentes tinham o hábito de encontrar-se nesse lugar, perto de onde Jesus havia falado a Nalda a respeito da água da vida. Nesse dia, exatamente quando haviam acabado as suas discussões sobre a descrição da ressurreição, Jesus apareceu de súbito diante deles e então disse:

(2053.4) 193:1.2 “A paz esteja convosco. Vós vos rejubilais de saber que eu sou a ressurreição e a vida, mas isso de nada vos valerá, a menos que nasçais primeiro do espírito eterno, chegando, por meio disso, a possuir pela fé o dom da vida eterna. Se fordes os filhos, pela fé, do meu Pai, vós nunca morrereis; vós nunca ireis perecer. O evangelho do Reino vos ensinou que todos os homens são filhos de Deus. E essas boas-novas, a respeito do amor do Pai celeste pelos seus filhos na Terra, devem ser levadas a todo o mundo. É chegada a hora em que não ireis adorar a Deus apenas em Gerizim ou em Jerusalém, mas sim onde estiverdes e como estiverdes, em espírito e em verdade. É a vossa fé que salva as vossas almas. A salvação é dádiva de Deus a todos os que são filhos Dele. E não vos deixeis enganar; ao mesmo tempo em que a salvação é uma dádiva livre de Deus e é concedida a todos aqueles que a aceitam pela fé, em seguida virá a experiência de conceber os frutos dessa vida espiritual, tal como é vivida na carne. A aceitação da doutrina da paternidade de Deus implica que vós aceitais também, graciosamente, a verdade conseqüente que é a irmandade dos homens. E se o homem é vosso irmão, ele é mais do que o vosso semelhante, a quem o Pai exige que ameis como a vós próprios. Sendo da vossa própria família, não só amareis ao vosso próprio irmão com uma afeição familiar, mas também servireis a ele como serviríeis a vós próprios. E assim amareis e servireis ao vosso irmão porque, sendo meus irmãos, vós fostes amados e servidos por mim. Ide, então, a todo o mundo falar dessas boas-novas a todas as criaturas de todas raças, tribos e nações. O meu espírito preceder-vos-á, e eu estarei para sempre convosco”.

(2054.1) 193:1.3 Esses samaritanos ficaram bastante atônitos com a aparição do Mestre e partiram apressados para as cidades e aldeias vizinhas, divulgando as novas de que haviam visto Jesus e que ele lhes havia falado. E essa foi a décima sétima aparição moroncial do Mestre.

2. A Aparição na Fenícia

(2054.2) 193:2.1 A décima oitava aparição moroncial do Mestre aconteceu em Tiro, na terça- feira, 16 de maio, um pouco antes das nove horas da noite. De novo aparecia ele, ao final de uma reunião de crentes, pouco antes de se dispersarem, dizendo:

(2054.3) 193:2.2 “A paz esteja convosco. Vos rejubilais de saber que o Filho do Homem ressuscitou dos mortos, pois, por meio disso sabeis que vós, e os vossos irmãos, também sobreviveis ao falecimento mortal. Mas tal sobrevivência depende de que tenhais nascido previamente para o espírito da busca da verdade e do encontro com Deus. O pão e a água da vida são dados apenas àqueles que têm fome da verdade e sede de retidão — de Deus. O fato de que os mortos ressuscitam, não é em si o evangelho do Reino. Essas grandes verdades e fatos do universo relacionam- se, todos, a este evangelho, pois são uma parte do resultado da crença nas boas-novas e porque se incluem na experiência subseqüente daqueles que se tornam, pela fé, de fato e de verdade, filhos perenes do Deus eterno. Meu Pai enviou-me ao mundo para proclamar a todos os homens a salvação dessa filiação. E assim eu vos envio ao mundo para pregardes a salvação da filiação. A salvação é uma dádiva livre de Deus; e aqueles que nascem do espírito, imediatamente, começarão a mostrar os frutos do espírito no serviço pleno de amor às criaturas semelhantes. E os frutos do espírito divino, gerados nas vidas dos mortais nascidos do espírito e sabedores de Deus, são: serviço pleno de amor, devoção não-egoísta, lealdade corajosa, eqüidade sincera, honestidade esclarecida, esperança imorredoura, confiança segura, ministração misericordiosa, bondade infalível, tolerância plena no perdão e paz duradoura. Se os crentes declarados não conceberem esses frutos do espírito divino nas suas vidas, eles estão mortos; o Espírito da Verdade não está neles; eles são ramos infrutíferos da videira viva, e logo serão podados. O meu Pai exige dos filhos da fé que dêem muitos frutos do espírito. Contudo, se vós não derdes frutos, Ele cavará em volta das vossas raízes e podará os vossos ramos infrutíferos. Cada vez mais deveis dar frutos do espírito no vosso progresso para dentro do Reino de Deus, na direção do céu. Vós podeis entrar no Reino como crianças, mas o Pai exige que cresçais, por meio da graça, até a estatura plena da maturidade espiritual. E quando fordes longe, dar a todas as nações a boa-nova deste evangelho, eu vos precederei e o meu Espírito da Verdade habitará nos vossos corações. A minha paz eu a deixo convosco”.

(2054.4) 193:2.3 E então o Mestre desapareceu da vista deles. No dia seguinte, aqueles que levariam essa história a Sidom, e mesmo até Antioquia e Damasco, saíram de Tiro. Jesus tinha estado com esses crentes quando estivera na carne, e eles o reconheceram, muito rapidamente, quando Jesus começou a dar-lhes ensinamentos. Ainda que os seus amigos não conseguissem reconhecer a sua forma moroncial prontamente, assim que ela se tornava visível, eles nunca demoraram a identificar a sua personalidade, tão logo ele começava a falar.

3. A Última Aparição em Jerusalém

(2055.1) 193:3.1 Cedo pela manhã, na quinta-feira, 18 de maio, Jesus fez a sua última aparição na Terra, enquanto uma personalidade moroncial. No momento em que os onze apóstolos iam sentar-se para o desjejum, na sala de cima da casa de Maria Marcos, Jesus apareceu para eles e disse:

(2055.2) 193:3.2 “A paz esteja convosco. Eu pedi-vos que permanecêsseis aqui em Jerusalém até que eu ascendesse ao Pai, e até que enviasse a vós o Espírito da Verdade, que em breve será vertido sobre toda a carne, e que vos irá dotar com o poder do alto”. Simão zelote interrompeu Jesus, perguntando: “Então, Mestre, tu irás restaurar o Reino; e nós veremos a glória de Deus manifestada na Terra?” Quando Jesus ouviu a pergunta de Simão, respondeu: “Simão, tu ainda te aténs às idéias antigas sobre o Messias judeu e o reino material. Mas receberás um poder espiritual, quando o espírito houver descido sobre ti, e logo irás a todo o mundo pregar este evangelho do Reino. Do mesmo modo que o Pai enviou-me ao mundo, eu vos envio. E desejo que todos vós ameis uns aos outros e confieis uns nos outros. Judas não mais está conosco, porque o seu amor esfriou e porque ele recusou-se a confiar em vós, os leais irmãos dele. Não lestes nas escrituras onde está escrito: ‘Não é bom para o homem ficar sozinho. Nenhum homem vive para si próprio’? E também onde é dito: ‘Aquele que gostaria de ter amigos deve mostrar-se amigável’? E eu não vos enviei até longe para ensinar, dois a dois, para que não vos tornásseis solitários e para que não caísseis nos erros e tristezas do isolamento? Também sabeis que, quando eu estava na carne, não me permiti permanecer só por períodos longos. Desde o princípio da nossa associação sempre vim mantendo dois ou três de vós constantemente ao meu lado ou muito perto e à mão, até mesmo quando eu comungava com o Pai. Entregai-vos, portanto, confiando uns nos outros. E isso se faz ainda mais necessário, pois, neste dia, vou deixar- vos sós no mundo. A hora é chegada; estou na iminência de ir para o Pai”.

(2055.3) 193:3.3 Quando acabou de falar, fez um sinal para que saíssem com ele e os conduziu ao monte das Oliveiras, onde fez a sua despedida preparatória antes de partir de Urântia. Essa foi uma caminhada solene ao monte das Oliveiras. Nenhuma palavra foi pronunciada por qualquer pessoa, desde o momento em deixaram a sala superior, até que Jesus parou junto com eles no monte das Oliveiras.

4. As Causas da Queda de Judas

(2055.4) 193:4.1 Foi na primeira parte da mensagem de adeus do Mestre aos seus apóstolos que ele fez alusão à perda de Judas e mostrou o destino trágico do companheiro de trabalho traidor, como uma advertência solene contra os perigos do isolamento social e fraternal. Pode ser de muita ajuda aos crentes, neste e nos tempos futuros, que um breve exame das causas da queda de Judas seja feito, à luz das observações do Mestre e tendo em vista os esclarecimentos acumulados dos séculos seguintes.

(2055.5) 193:4.2 Olhando essa tragédia de um modo retrospectivo, concebemos que, primariamente, se Judas desviou-se para o erro, foi porque era muito marcadamente uma personalidade isolada, uma personalidade fechada em si e distante dos contatos sociais comuns. Ele recusou-se persistentemente a confiar nos amigos apóstolos ou a confraternizar-se livremente com eles. Mas ser um tipo isolado de personalidade não teria, em si e por si só, forjado tal erro de Judas, não fosse pelo fato de ele também não haver crescido em amor e em graça espiritual. E então, como se para agravar ainda mais um ponto fraco, ele deu abrigo persistente a ressentimentos e deu forças a inimigos psicológicos, tais como a vingança e a aspiração generalizada de “tirar a diferença”, fosse com quem fosse, por todas as suas decepções.

(2056.1) 193:4.3 Essa combinação infeliz de peculiaridades individuais e de tendências mentais conspirou para destruir um homem bem-intencionado, que não conseguiu vencer esses males por meio do amor, fé e confiança. Que Judas não tivesse necessariamente de seguir esse caminho do erro é bem comprovado pelos casos de Tomé e de Natanael: ambos foram também amaldiçoados pela mesma espécie de desconfiança e por um desenvolvimento exagerado das tendências individualistas. Mesmo André e Mateus apresentavam muitas tendências nessa direção; mas todos esses homens cresceram no seu amor por Jesus e pelos companheiros apóstolos, cada vez mais e não menos, com o passar do tempo. Eles cresceram em graça e no conhecimento da verdade. E tornaram-se cada vez mais confiantes nos seus irmãos e, aos poucos, desenvolveram a capacidade de confiar nos companheiros. Judas recusou-se com persistência a confiar nos seus irmãos. Quando se sentia, por causa do acúmulo dos seus conflitos emocionais, compelido a buscar o alívio em alguma expressão própria, ele invariavelmente buscava um conselho pouco sábio, recebendo o consolo dos seus parentes não espiritualizados ou de conhecidos casuais que, ou eram indiferentes, ou mesmo hostis ao bem-estar e ao progresso das realidades espirituais do Reino do céu, do qual ele era um dos doze embaixadores consagrados na Terra.

(2056.2) 193:4.4 Judas encontrou a derrota nas suas batalhas de lutas terrenas por causa da fraqueza do seu caráter e dos seguintes fatores, nas suas tendências pessoais:

(2056.3) 193:4.5 1. Era um ser humano do tipo isolado. E, sendo altamente individualista, escolheu tornar-se uma espécie de pessoa definitivamente fechada em si e anti- social.

(2056.4) 193:4.6 2. Quando era criança, a vida se fez fácil demais para ele. Ele ressentia-se amargamente ao ser contrariado. A sua expectativa era a de ganhar sempre; ele era um péssimo perdedor.

(2056.5) 193:4.7 3. Nunca adquiriu uma técnica filosófica para defrontar-se com a decepção. Em vez de aceitar os malogros como um aspecto regular e comum da existência humana, ele recorria infalivelmente à prática de culpar alguém em particular, ou os seus companheiros, como um grupo, por todas as dificuldades e frustrações pessoais.

(2056.6) 193:4.8 4. Era dado a conservar os ressentimentos; e estava sempre alimentando idéias de vingança.

(2056.7) 193:4.9 5. Não gostava de enfrentar os fatos com sinceridade; e era desonesto na sua atitude para com as situações da vida.

(2056.8) 193:4.10 6. Não gostava de discutir os seus problemas pessoais com os seus companheiros próximos; recusava-se a falar sobre as suas dificuldades com os seus amigos verdadeiros e com aqueles que o amavam de fato. Em todos os anos da sua relação, nem por uma vez ele recorreu ao Mestre com um problema puramente pessoal.

(2056.9) 193:4.11 7. Nunca aprendeu que as recompensas verdadeiras, pelo viver com nobreza, são, afinal, prêmios espirituais, os quais nem sempre são distribuídos durante essa curta vida na carne.

(2056.10) 193:4.12 O resultado do isolamento persistente da sua personalidade foi que as suas mágoas multiplicaram-se, as tristezas cresceram, as ansiedades aumentaram e o seu desespero aprofundou-se a um ponto quase intolerável.

(2057.1) 193:4.13 Conquanto esse apóstolo autocentrado e ultra-individualista haja tido muitos problemas psíquicos, emocionais e espirituais, as suas principais dificuldades foram: na personalidade, ele ser isolado; na mente, ele ser vingativo e cheio de suspeição; no temperamento, ele ser áspero e dado à desforra; emocionalmente, ele ser sem amor e incapaz de perdoar; socialmente, ele não confiar e permanecer fechado em si próprio; no espírito, ele tornar-se arrogante e egoisticamente ambicioso; na vida, ele ignorar aqueles que o amavam; e, na morte, ficar sem amigos.

(2057.2) 193:4.14 Esses, pois, são os fatores mentais e as más influências que, juntas, explicam por que um crente de Jesus, outrora bem-intencionado e também sincero, mesmo depois de vários anos de ligação íntima com a personalidade transformadora de Jesus, abandonou os seus companheiros, repudiou uma causa santa, renunciou à sua sagrada convocação e traiu o seu Mestre divino.

5. A Ascensão do Mestre

(2057.3) 193:5.1 Eram quase sete horas e meia da manhã, dessa quinta-feira 18 de maio, quando Jesus chegou à rampa oeste do monte das Oliveiras, com os seus onze apóstolos silenciosos e um tanto desorientados. Desse local, a dois terços da subida até o alto da montanha, podiam contemplar Jerusalém e o Getsêmani. Jesus agora se preparava para dar o seu último adeus aos apóstolos, antes de deixar Urântia. Enquanto Jesus permanecia ali diante deles, todos se ajoelharam em volta dele em um círculo, sem que fossem mandados, e o Mestre disse:

(2057.4) 193:5.2 “Eu vos pedi que ficassem em Jerusalém até que fôsseis dotados com o poder do alto. E, agora, estou a ponto de deixar-vos e de ascender ao meu Pai; e, muito em breve, nós enviaremos o Espírito da Verdade a este mundo onde estive; e, quando ele houver chegado, vós ireis começar a nova proclamação do evangelho do Reino, inicialmente em Jerusalém e depois nas partes mais distantes do mundo. Amai aos homens com o amor com o qual eu vos amei, e servi aos semelhantes mortais como eu servi a vós. Pelos frutos do espírito nas vossas vidas, levai as almas a acreditar na verdade de que o homem é um filho de Deus, e de que os homens são irmãos. Lembrai-vos de tudo o que eu vos ensinei e da vida que eu vivi entre vós. O meu amor vos abriga, o meu espírito residirá convosco e a minha paz habitará em vós. Adeus”.

(2057.5) 193:5.3 Depois que o Mestre moroncial assim falou, ele desapareceu da vista de todos. Essa assim chamada ascensão de Jesus não foi de nenhum modo diferente dos seus outros desaparecimentos da vista mortal, durante os quarenta dias da sua carreira moroncial em Urântia.

(2057.6) 193:5.4 O Mestre foi para Edêntia, passando por Jerusém, onde os Altíssimos, sob a observação do Filho Eterno do Paraíso, liberaram Jesus de Nazaré do seu estado moroncial e, por meio dos canais espirituais da ascensão, devolveram-lhe o status de filiação do Paraíso e a soberania suprema em Sálvington.

(2057.7) 193:5.5 Eram cerca de sete horas e quarenta e cinco minutos, dessa manhã, quando o Jesus moroncial desapareceu da vista dos seus onze apóstolos, para iniciar a ascensão à mão direita do seu Pai, a fim de receber a confirmação formal da sua soberania completa do universo de Nébadon.

6. Pedro Convoca uma Reunião

(2057.8) 193:6.1 Atuando sob as instruções de Pedro, João Marcos e os outros foram reunir os principais discípulos na casa de Maria Marcos. Lá pelas dez horas e trinta minutos, cento e vinte dentre os mais notáveis discípulos de Jesus, que viviam em Jerusalém, haviam-se reunido para ouvir o relato da mensagem de despedida do Mestre e para saber da sua ascensão. Entre esses estava Maria, a mãe de Jesus. Ela havia retornado a Jerusalém com João Zebedeu, quando os apóstolos vieram de volta da sua recente viagem à Galiléia. Logo depois de Pentecostes, ela retornaria à casa de Salomé, na Betsaida. Tiago, o irmão de Jesus, também esteve presente a esse encontro, a primeira conferência dos discípulos do Mestre a ser convocada depois do fim da sua carreira planetária.

(2058.1) 193:6.2 Simão Pedro tomou a si a incumbência de falar pelos seus amigos apóstolos e fez um relato apaixonado do último encontro dos onze, com o seu Mestre e, de modo bastante tocante, retratou o adeus final do Mestre e o seu desaparecimento para a ascensão. Foi um encontro como não houvera nenhum igual antes neste mundo. Essa parte do encontro durou quase uma hora. Pedro então explicou que eles haviam decidido escolher um sucessor para Judas Iscariotes; e que um recesso seria concedido para que os apóstolos pudessem decidir entre os dois homens que haviam sido sugeridos para essa posição: Matias e Justo.

(2058.2) 193:6.3 Os onze apóstolos então desceram e, lá embaixo, concordaram em tirar a sorte para determinar qual desses dois homens deveria tornar-se um apóstolo e servir no lugar de Judas. A sorte escolheu Matias e ele foi declarado como o novo apóstolo. Foi devidamente instalado no seu posto e então apontado como tesoureiro. Mas Matias teve pouca participação nas atividades subseqüentes dos apóstolos.

(2058.3) 193:6.4 Logo depois de Pentecostes, os gêmeos voltaram para as suas casas na Galiléia. Simão zelote esteve afastado por algum tempo, antes de sair pregando o evangelho. Tomé distanciou-se por um período menor e então reassumiu os seus ensinamentos. Natanael divergia cada vez mais de Pedro, a respeito de uma pregação sobre Jesus, em lugar de proclamar o evangelho anterior do Reino. Esse desacordo tornou-se tão intenso, por volta de meados do mês seguinte, que Natanael retirou-se, indo para a Filadélfia visitar Abner e Lázaro; e, depois de permanecer lá, por mais de um ano, ele foi para as terras além da Mesopotâmia pregar o evangelho, como ele entendia que devia ser.

(2058.4) 193:6.5 Isso deixou apenas seis dos doze apóstolos originais, participando da cena da proclamação inicial do evangelho em Jerusalém: Pedro, André, Tiago, João, Filipe e Mateus.

(2058.5) 193:6.6 Por volta do meio-dia, os apóstolos voltaram para os seus irmãos na sala de cima e anunciaram que Matias havia sido escolhido como o novo apóstolo. E então Pedro convocou os crentes para que orassem, a fim de ficarem preparados para receber a dádiva do espírito que o Mestre havia prometido enviar.

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