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  O Livro De Urantia
       Documento 0, Introdução
       Documento 1, O Pai Universal
       Documento 2, A Natureza De Deus
       Documento 3, Os Atributos De Deus
       Documento 4, A Relação De Deus Com O Universo
       Documento 5, A Relação De Deus Com O Universo
       Documento 6, O Filho Eterno
       Documento 7, A Relação Do Filho Eterno Com O Universo
       Documento 8, O Espírito Infinito
       Documento 9, A Relação Do Espírito Infinito Com O Universo
       Documento 10, A Trindade Do Paraíso
       Documento 11, A Ilha Eterna Do Paraíso
       Documento 12, O Universo Dos Universos
       Documento 13, As Esferas Sagradas Do Paraíso
       Documento 14, O Universo Central E Divino
       Documento 15, Os Sete Superuniversos-O Universo Central E Divino
       Documento 16, Os Sete Espíritos Mestres
       Documento 17, Os Sete Grupos De Espíritos Supremos
       Documento 18, As Personalidades Supremas Da Trindade
       Documento 19, Os Seres Coordenados Originários Da Trindade
       Documento 20, Os Filhos De Deus, Do Paraíso
       Documento 21, Os Filhos Criadores Do Paraíso
       Documento 22, Os Filhos Trinitarizados De Deus
       Documento 23, Os Mensageiros Solitários
       Documento 24, As Personalidades Mais Elevadas Do Espírito Infinito
       Documento 25, As Hostes De Mensageiros Do Espaço
       Documento 26, Espíritos Ministradores Do Universo Central
       Documento 27, Ministração Dos Supernafins Primários
       Documento 28, Espíritos Ministradores Dos Superuniversos
       Documento 29, Os Diretores De Potência Do Universo
       Documento 30, Personalidades Do Grande Universo
       Documento 31, O Corpo De Finalidade
       Documento 32, A Evolução Dos Universos Locais
       Documento 33, A Administração Do Universo Local
       Documento 34, O Espírito Materno Do Universo Local
       Documento 35, Os Filhos De Deus Do Universo Local
       Documento 36, Os Portadores Da Vida
       Documento 37, As Personalidades Do Universo Local
       Documento 38, Os Espíritos Ministradores Do Universo Local
       Documento 39, As Hostes Seráficas
       Documento 40, Os Filhos Ascendentes De Deus
       Documento 41, Aspectos Físicos Do Universo Local
       Documento 42, Energia - Mente E Matéria
       Documento 43, As Constelações
       Documento 44, Os Artesãos Celestes
       Documento 45, A Administração Do Sistema Local
       Documento 46, A Sede Central Do Sistema Local
       Documento 47, Os Sete Mundos Das Mansões
       Documento 48, A Vida Moroncial
       Documento 49, Os Mundos Habitados
       Documento 50, Os Príncipes Planetários
       Documento 51, Os Adãos Planetários
       Documento 52, Épocas Planetárias Dos Mortais
       Documento 53, A Rebelião De Lúcifer
       Documento 54, Os Problemas Da Rebelião De Lúcifer
       Documento 55, As Esferas De Luz E Vida
       Documento 56, A Unidade Universal
       Documento 57, A Origem De Urântia
       Documento 58, O Estabelecimento Da Vida Em Urântia
       Documento 59, A Era Da Vida Marinha Em Urântia
       Documento 60, Urântia Durante A Era Da Vida Terrestre Primitiva
       Documento 61, A Era Dos Mamíferos Em Urântia
       Documento 62, As Raças Na Aurora Do Homem Primitivo
       Documento 63, A Primeira Família Humana
       Documento 64, As Raças Evolucionárias De Cor
       Documento 65, O Supracontrole Da Evolução
       Documento 66, O Príncipe Planetário De Urântia
       Documento 67, A Rebelião Planetária
       Documento 68, A Aurora Da Civilização
       Documento 69, Instituições Humanas Primitivas
       Documento 70, A Evolução Do Governo Humano
       Documento 71, O Desenvolvimento Do Estado
       Documento 72, O Governo, Num Planeta Vizinho
       Documento 73, O Jardim Do Éden
       Documento 74, Adão E Eva
       Documento 75, A Falta De Adão E Ev
       Documento 76, O Segundo Jardima
       Documento 77, As Criaturas Intermediárias
       Documento 78, A Raça Violeta Depois Dos Dias De Adão
       Documento 79, A Expansão Andita No Oriente
       Documento 80, A Expansão Andita No Ocidente
       Documento 81, O Desenvolvimento Da Civilização Moderna
       Documento 82, A Evolução Do Matrimônio
       Documento 83, A Instituição Do Matrimônio
       Documento 84, O Matrimônio E A Vida Familiar
       Documento 85, As Origens Da Adoração
       Documento 86, A Evolução Primitiva Da Religião
       Documento 87, Os Cultos Dos Fantasmas
       Documento 88, Fetiches, Encantos E Magias
       Documento 89, Pecado, Sacrifício E Expiação
       Documento 90, O Xamanismo – Curandeiros E Sacerdotes
       Documento 91, A Evolução Da Prece
       Documento 92, A Evolução Posterior Da Religião
       Documento 93, Maquiventa Melquisedeque
       Documento 94, Os Ensinamentos De Melquisedeque No Oriente
       Documento 95, Os Ensinamentos De Melquisedeque No Levante
       Documento 96, Yavé – O Deus Dos Hebreus
       Documento 97, A Evolução Do Conceito De Deus Entre Os Hebreus
       Documento 98, Os Ensinamentos De Melquisedeque No Ocidente
       Documento 99, Os Problemas Sociais Da Religião
       Documento 100, A Religião Na Experiência Humana
       Documento 101, A Natureza Real Da Religião
       Documento 102, Os Fundamentos Da Fé Religiosa
       Documento 103, A Realidade Da Experiência Religiosa
       Documento 104, O Crescimento Do Conceito Da Trindade
       Documento 105, A Deidade E A Realidade
       Documento 106, Níveis De Realidade No Universo
       Documento 107, A Origem E A Natureza Dos Ajustadores Do Pensamento
       Documento 108, A Missão E O Ministério Dos Ajustadores Do Pensamento
       Documento 109, A Relação Dos Ajustadores Com
       Documento 110, A Relação Dos Ajustadores Com Os Indivíduos Mortais
       Documento 111, O Ajustador E A Alma
       Documento 112, A Sobrevivência Da Personalidade
       Documento 113, Os Guardiães Seráficos Do Destino
       Documento 114, O Governo Seráfico Planetário
       Documento 115, O Ser Supremo
       Documento 116, O Supremo Todo-Poderoso
       Documento 117, Deus, O Supremo
       Documento 118, O Supremo E O Último – O Tempo E O Espaço
       Documento 119, As Auto-Outorgas De Cristo Michael
       Documento 120, A Auto-Outorga De Michael Em Urântia
       Documento 121, A Época Da Auto-Outorga De Michael
       Documento 122, O Nascimento E A Infância De Jesus
       Documento 123, A Primeira Infância De Jesus
       Documento 124, A Segunda Infância De Jesus
       Documento 125, Jesus Em Jerusalém
       Documento 126, Os Dois Anos Cruciais
       Documento 127, Os Anos Da Adolescência
       Documento 128, O Início Da Vida Adulta De Jesus
       Documento 129, A Vida Adulta De Jesus
       Documento 130, A Caminho De Roma
       Documento 131, As Religiões Do Mundo
       Documento 132, A Permanência Em Roma
       Documento 133, O Retorno De Roma
       Documento 134, Os Anos De Transição
       Documento 135, João Batista
       Documento 136, O Batismo E Os Quarenta Dias
       Documento 137, O Tempo De Espera Na Galiléia
       Documento 138, A Formação Dos Mensageiros Do Reino
       Documento 139, Os Doze Apóstolos
       Documento 140, A Ordenação Dos Doze
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       Documento 142, A Páscoa Em Jerusalém
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       Documento 146, A Primeira Campanha De Pregação Na Galiléia
       Documento 147, O Interlúdio Da Visita A Jerusalém
       Documento 148, Preparando Os Evangelistas Em Betsaida
       Documento 149, A Segunda Campanha De Pregação
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       Documento 171, A Caminho De Jerusalém
       Documento 172, A Entrada Em Jerusalém
       Documento 173, A Segunda-Feira Em Jerusalém
       Documento 174, Terça-Feira De Manhã No Templo
       Documento 175, O Último Discurso No Templo
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       Documento 176, Terça-Feira À Noite No Monte Das Oliveiras
       Documento 178, O Último Dia No Acampamento
       Documento 179, A Última Ceia
       Documento 180, O Discurso De Despedida
       Documento 181, Exortações E Conselhos Finais
       Documento 182, No Getsêmane
       Documento 183, A Traição A Jesus E A Sua Prisão
       Documento 184, Perante O Tribunal Do Sinédrio
       Documento 185, O Julgamento Diante De Pilatos
       Documento 186, Pouco Antes Da Crucificação
       Documento 187, A Crucificação
       Documento 188, O Período Dentro Da Tumba
       Documento 189, A Ressurreição
       Documento 190, As Aparições Moronciais De Jesus
       Documento 191, As Aparições Aos Apóstolos E Aos Outros Líderes
       Documento 192, Aparições Na Galiléia
       Documento 193, Últimas Aparições E Ascensão
       Documento 194, O Outorgamento Do Espírito Da Verdade
       Documento 195, Depois De Pentecostes
       Documento 196, A Fé De Jesus

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O Livro de Urântia

Documento 103

A Realidade da Experiência Religiosa


(1129.1) 103:0.1 TODAS as reações verdadeiramente religiosas do homem são promovidas pela ministração inicial do ajudante da adoração e são censuradas pelo ajudante da sabedoria. A primeira dotação de supramente do homem é a do circuitamento da sua personalidade ao Espírito Santo, vindo do Espírito Criativo do Universo; e, bem antes das auto-outorgas dos Filhos divinos e da dádiva dos Ajustadores passar a ser universal, essa influência funciona para ampliar o ponto de vista do homem sobre a ética, a religião e a espiritualidade. Após as auto-outorgas dos Filhos do Paraíso, o Espírito da Verdade liberado faz poderosas contribuições para a ampliação da capacidade humana de perceber as verdades religiosas. À medida que avança a evolução, em um mundo habitado, os Ajustadores do Pensamento participam crescentemente do desenvolvimento dos tipos mais elevados de discernimento interior religioso no homem. O Ajustador do Pensamento é a janela cósmica através da qual a criatura finita, pela fé, pode antever muito sobre os aspectos certos e divinos da Deidade ilimitada, o Pai Universal.

(1129.2) 103:0.2 As tendências religiosas das raças humanas são inatas; elas são manifestadas de um modo universal e têm uma origem aparentemente natural; as religiões primitivas são sempre evolucionárias na sua gênese. À medida que a experiência religiosa natural continua o seu progresso, revelações periódicas da verdade pontuam o fluir da evolução planetária, a qual, não fora por isso, seria mais lenta.

(1129.3) 103:0.3 Em Urântia, hoje, há quatro espécies de religião:

(1129.4) 103:0.4 1. A religião natural ou evolucionária.
(1129.5) 103:0.5 2. A religião supranatural ou da revelação.
(1129.6) 103:0.6 3. A religião prática ou corrente: mistos, em vários graus, de religiões naturais e supranaturais.
(1129.7) 103:0.7 4. As religiões filosóficas: doutrinas teológicas, feitas pelo homem ou pensadas pela filosofia e criadas pela razão.

1. A Filosofia da Religião

(1129.8) 103:1.1 A unidade da experiência religiosa em um grupo social ou racial nasce da natureza idêntica dos fragmentos de Deus, que residem nos indivíduos. É essa parte divina no homem que dá origem ao seu interesse não-egoísta pelo bem-estar de outros homens. Contudo, posto que a personalidade é única — não havendo dois seres mortais iguais — , ocorre inevitavelmente que não há dois seres humanos que possam interpretar, de modo similar, a condução e os impulsos do espírito da divindade que vive dentro das suas mentes. Os seres de um grupo de mortais podem experienciar a unidade espiritual, mas eles não podem nunca alcançar a uniformidade filosófica. E essa diversidade de interpretação da experiência e do pensamento religiosos é mostrada pelo fato de que os teólogos e os filósofos do século vinte têm formulado mais de quinhentas definições diferentes para a religião. Na realidade, cada ser humano define a religião nos termos da sua própria interpretação experiencial dos impulsos divinos que emanam do espírito de Deus, que reside em si próprio e, portanto, essa interpretação deve ser única e totalmente diferente da filosofia religiosa de todos os outros seres humanos.

(1130.1) 103:1.2 Quando um mortal está de pleno acordo com a filosofia religiosa de um semelhante mortal, esse fenômeno indica que esses dois seres tiveram uma experiência religiosa semelhante, no que toca às questões das similaridades entre as suas interpretações filosóficas religiosas.

(1130.2) 103:1.3 Ainda que a vossa religião seja uma questão de experiência pessoal, é muito importante que vós devêsseis ser expostos ao conhecimento de um vasto número de outras experiências religiosas (as interpretações diversas de mortais diversos) com a finalidade de que possais impedir a vossa vida religiosa de tornar-se egocêntrica — circunscrita, egoísta e antisocial.

(1130.3) 103:1.4 O racionalismo erra quando assume que a religião é, em primeiro lugar, uma crença primitiva em alguma coisa, e que, então, é seguida da busca de valores. A religião é principalmente uma busca de valores, que, em seguida, formula um sistema de crenças interpretativas. É muito mais fácil para os homens concordarem quanto aos valores religiosos — metas — , do que quanto às crenças — interpretações. E isso explica como a religião pode concordar quanto aos valores e metas permitindo ao mesmo tempo a existência de fenômenos confusos, tais como continuar admitindo centenas de crenças conflitantes — os credos. Isso explica, também, por que uma determinada pessoa pode manter a sua experiência religiosa, mesmo cedendo ou mudando muitas das suas crenças religiosas. A religião persiste, a despeito das mudanças evolucionárias nas crenças religiosas. A teologia não produz a religião; é a religião que produz a filosofia teológica.

(1130.4) 103:1.5 O fato de que os religiosos tenham acreditado em tantas coisas que eram falsas não invalida a religião, pois esta é fundada no reconhecimento de valores, e é validada pela fé da experiência religiosa pessoal. A religião, então, baseia-se na experiência e no pensamento religioso; a teologia, a filosofia da religião, é uma tentativa honesta de interpretar aquela experiência. Essas crenças interpretativas podem estar certas ou erradas, ou serem uma mistura de verdade e de erro.

(1130.5) 103:1.6 O reconhecimento, tornado realidade, dos valores espirituais é uma experiência que é supra-ideacional. Não há nenhuma palavra, em nenhuma língua humana, que possa ser empregada para designar esse “senso”, “sentimento”, “intuição” ou “experiência”, que escolhemos chamar de consciência de Deus. O espírito de Deus que reside no homem não é pessoal — o Ajustador é pré-pessoal — , mas esse Monitor apresenta um valor, exala um sabor de divindade, que não é pessoal, no sentido mais elevado e infinito. Se Deus não fosse ao menos pessoal, ele não seria consciente, e não sendo consciente, então ele seria infra-humano.

2. A Religião e o Indivíduo

(1130.6) 103:2.1 A religião é funcional na mente humana; e tem sido consubstanciada na experiência antes do seu aparecimento na consciência humana. Uma criança já existe cerca de nove meses antes de experimentar o nascimento. O “nascimento” da religião, porém, não é súbito; é antes uma emergência gradativa. Entretanto, mais cedo ou mais tarde, há o “dia do nascimento”. Vós não entrareis no Reino do céu, a menos que tenhais “nascido novamente” — nascido do espírito. Muitos nascimentos espirituais são acompanhados de muita angústia de espírito e marcados por perturbações psicológicas, do mesmo modo que muitos nascimentos físicos são caracterizados por um “trabalho difícil” e outras anormalidades no “parto”. Outros nascimentos espirituais são um crescimento natural e normal de reconhecimento dos valores supremos, com um enaltecimento da experiência espiritual, ainda que nenhum desenvolvimento religioso ocorra sem um esforço consciente e positivo de determinação individual e pessoal. O ato religioso nunca é uma experiência passiva, uma atitude negativa. Aquilo que é denominado o “nascimento da religião” não é associado diretamente às experiências chamadas de conversão, que geralmente caracterizam os episódios religiosos que ocorrem tardiamente na vida, em resultado de conflito mental, de repressão emocional e de altercações temperamentais.

(1131.1) 103:2.2 No entanto, essas pessoas que foram criadas de tal modo pelos seus pais, que cresceram na consciência de serem filhos de um Pai celeste amoroso, não deveriam olhar de soslaio para os seus semelhantes mortais que só puderam atingir essa consciência de amizade com Deus por intermédio de uma crise psicológica, de um abalo emocional.

(1131.2) 103:2.3 O solo evolucionário, na mente do homem em quem a semente da religião revelada germina, é a natureza moral, que muito cedo dá origem a uma consciência social. Os primeiros impulsos de natureza moral em uma criança nada têm a ver com sexo, culpa ou orgulho pessoal, mas têm, sim, mais a ver com os impulsos da justiça, da retidão e os desejos de bondade — a ministração colaboradora para com o semelhante. E quando esse primeiro despertar moral é nutrido, ocorre um desenvolvimento gradual da vida religiosa que é relativamente livre de conflitos, de abalos e de crises.

(1131.3) 103:2.4 Todo ser humano experimenta, muito cedo, algo como um conflito entre a sua busca pessoal e os seus impulsos altruístas e, muitas vezes, a primeira experiência de consciência de Deus pode ser alcançada em resultado da busca de ajuda supra-humana na tarefa de resolver tais conflitos morais.

(1131.4) 103:2.5 A psicologia de uma criança é naturalmente positiva, não negativa. Muitos mortais são negativos porque foram treinados para ser assim. Quando se diz que a criança é positiva, isso se refere aos seus impulsos morais, aqueles poderes da mente cuja emergência assinala a chegada do Ajustador do Pensamento.

(1131.5) 103:2.6 Na ausência de ensinamentos errôneos, a mente da criança normal move-se positivamente, quando surge a consciência religiosa, que a leva na direção da retidão moral e do servir social, mais do que negativamente, fugindo do pecado e da culpa. Pode haver, ou não, conflito no desenvolvimento da experiência religiosa, mas estão sempre presentes as inevitáveis decisões, o esforço e a função da vontade humana.

(1131.6) 103:2.7 A escolha moral é acompanhada, usualmente, por conflitos morais maiores ou menores. E esse primeiro conflito, na mente da criança, dá-se entre a premência do egoísmo e os impulsos do altruísmo. O Ajustador do Pensamento não desconsidera os valores da personalidade com motivo egoísta, e não opera no sentido de colocar a mais leve preferência sobre o impulso altruísta, como sendo o que leva à meta da felicidade humana e às alegrias do Reino do céu.

(1131.7) 103:2.8 Quando um ser moral escolhe não ser egoísta, ao deparar com o impulso de ser egoísta, esta é a experiência religiosa primitiva. Nenhum animal pode fazer essa escolha; tal decisão não só é humana, como é religiosa. Ela abrange o fato de se ter consciência da existência de Deus, demonstrando o impulso para o serviço social, a base da irmandade dos homens. Quando a mente escolhe um julgamento moral certo, por um ato de livre-arbítrio, essa decisão constitui uma experiência religiosa.

(1131.8) 103:2.9 Todavia, antes que a criança se haja desenvolvido suficientemente até adquirir a capacidade moral e, portanto, até ser capaz de escolher o serviço altruísta, ela já desenvolveu uma natureza egoísta forte e bem unificada. E é essa situação factual que dá surgimento à teoria da luta entre a natureza “mais elevada” e a “mais baixa”, entre o “homem velho do pecado” e a “nova natureza” da graça. Muito cedo, na vida, a criança normal começa a aprender que “dar é mais abençoado do que receber”.

(1131.9) 103:2.10 O homem tende a identificar o impulso de atender às próprias necessidades do seu ego, com o seu eu — consigo próprio. E, ao mesmo tempo, inclina-se a identificar a vontade de ser altruísta com alguma influência exterior a ele próprio — Deus. E esse julgamento de fato está certo, pois todos os desejos altruístas têm a sua origem nos guiamentos do Ajustador do Pensamento residente, e esse Ajustador é um fragmento de Deus. A consciência humana correlaciona o impulso do Monitor espiritual com a tendência de ser altruísta, de pensar fraternalmente. Ao menos, essa é a experiência primeira e fundamental na mente da criança. Quando a criança em crescimento não tem êxito em unificar a sua personalidade, a tendência altruísta pode tornar-se tão superdesenvolvida a ponto de causar um prejuízo sério ao bem-estar do eu. Uma consciência mal orientada pode tornar-se responsável por muitos conflitos, preocupações, tristezas e um sem-fim de infelicidades humanas.

3. A Religião e a Raça Humana

(1132.1) 103:3.1 Ainda que as crenças em espíritos, em sonhos e em diversas outras superstições hajamm, todas, tido exercido um papel na origem evolucionária das religiões primitivas, vós não devíeis desprezar a influência do clã nem o espírito de solidariedade tribal. Nas relações grupais, fica apresentada a situação social exata que proporcionou o desafio ao conflito entre o egoísmo e o altruísmo na natureza moral da mente primitiva do homem. A despeito da sua crença em espíritos, os australianos primitivos ainda concentram no clã o foco da sua religião. Com o tempo, tais conceitos religiosos tendem a se personalizar, primeiro, como animais, e, mais tarde, como um ser supra-humano, ou um Deus. Até mesmo as raças inferiores, tais como os bosquímanos africanos, os quais não chegam nem a ser totêmicos nas suas crenças, reconhecem a diferença entre o interesse próprio e o interesse grupal, fazem uma diferenciação primitiva entre os valores do secular e do sagrado. O grupo social não é, porém, a fonte da experiência religiosa. Apesar da influência de todas essas contribuições primitivas para a religião inicial do homem, permanece o fato de que o verdadeiro impulso religioso tem a sua origem nas presenças genuínas de espíritos ativando a vontade de ser não-egoísta.

(1132.2) 103:3.2 A religião posterior é prenunciada na crença primitiva nas maravilhas naturais e mistérios, o maná impessoal. Mais cedo ou mais tarde, no entanto, a religião em evolução requer que o indivíduo faça algum sacrifício pessoal pelo bem do seu grupo social, requer que ele faça alguma coisa para deixar os outros mais felizes e melhores. No fim das contas, a religiosidade está destinada a tornar-se o serviço a Deus e ao homem.

(1132.3) 103:3.3 A religião está destinada a mudar o meio ambiente do homem, mas grande parte da religiosidade encontrada entre os mortais, hoje, tornou-se impotente para realizar isso. O ambiente, muito freqüentemente, tem orientado a religiosidade.

(1132.4) 103:3.4 Lembrai-vos de que, na religião de todas as épocas, a experiência suprema é o sentimento a respeito dos valores morais e dos significados sociais, não o pensamento a respeito dos dogmas teológicos ou das teorias filosóficas. A religião evolui favoravelmente, à medida que um elemento de magia é substituído pelo conceito da moral.

(1132.5) 103:3.5 O homem evoluiu por meio das superstições do maná, da magia, da adoração da natureza, do medo dos espíritos e da adoração aos animais, até vários cerimoniais por intermédio dos quais a atitude religiosa do indivíduo tornou-se as reações grupais do clã. E, então, essas cerimônias tornaram-se focalizadas e cristalizadas nas crenças tribais e, finalmente, esses medos e fés tornaram-se personalizadas em deuses. Em toda a evolução religiosa, entretanto, o elemento moral nunca esteve totalmente ausente. O impulso de Deus dentro do homem foi sempre poderoso. E essas influências poderosas — uma, a humana; e outra, a divina — asseguraram a sobrevivência da religião, por meio das vicissitudes das idades, não obstante as ameaças muito freqüentes de extinção, vindas da parte de mil tendências subvertedoras e de antagonismos hostis.

4. A Comunhão Espiritual

(1133.1) 103:4.1 A diferença característica entre uma ocasião social e uma reunião religiosa é que, ao contrário da secular, a ocasião religiosa é permeada pela atmosfera da comunhão. Nesse sentido, a associação humana gera um sentimento de irmandade com o divino, e isso é o começo da adoração grupal. Compartilhar uma refeição comum foi o primeiro tipo de comunhão social; e assim as religiões primitivas colaboraram com aquela parte do sacrifício cerimonial que deveria ser comida pelos adoradores. Mesmo no cristianismo, a Ceia do Senhor conserva esse modo de comunhão. A atmosfera da comunhão proporciona um período restaurador e confortador de trégua ao ego, o qual está no conflito da busca a si próprio, encontrando nessa trégua o impulso altruísta do espírito Monitor residente. E isso é um prelúdio à verdadeira adoração — a prática da presença de Deus que acontece no surgimento da irmandade dos homens.

(1133.2) 103:4.2 Quando sentiu que a sua comunhão com Deus havia sido interrompida, o homem primitivo recorreu a sacrifícios de algum tipo, em um esforço para fazer a expiação das relações amigáveis, restaurando-as. A fome e a sede de retidão conduzem à descoberta da verdade; e a verdade aumenta os ideais; e isso gera novos problemas para os indivíduos religiosos, pois os nossos ideais tendem a crescer em uma progressão geométrica, enquanto a nossa capacidade de viver e estar à altura deles aumenta em uma progressão apenas aritmética.

(1133.3) 103:4.3 O sentimento de culpa (não a consciência do pecado) vem da comunhão espiritual interrompida ou da queda do nível moral dos vossos ideais. A libertação desse apuro apenas pode advir da compreensão de que os vossos mais elevados ideais morais não são necessariamente sinônimos da vontade de Deus. O homem não pode esperar viver à altura dos seus ideais mais elevados, mas ele pode ser fiel ao seu propósito de buscar a Deus e tornar-se mais e mais como Ele.

(1133.4) 103:4.4 Jesus aboliu todas as cerimônias de sacrifícios e expiação. Ele destruiu a base de toda a culpa fictícia e o sentimento de isolamento no universo, declarando que o homem é um filho de Deus; o relacionamento criatura-Criador foi reposicionado na base da relação filho-pai; e Deus torna-se um Pai cheio de amor pelos seus filhos e filhas mortais. Todas as cerimônias que não sejam uma parte legítima das relações íntimas dessa família ficam ab-rogadas para sempre.

(1133.5) 103:4.5 Deus, o Pai, lida com o homem, um filho Seu, na base não da virtude nem do mérito factual, mas em reconhecimento à motivação do filho — o propósito, ou a intenção da criatura. O relacionamento é de associação pai-filho e é motivado pelo amor divino.

5. A Origem dos Ideais

(1133.6) 103:5.1 A mente evolucionária primitiva dá origem ao sentimento do dever social e da obrigação moral, derivando-se estes principalmente do medo emocional. O impulso mais positivo de serviço social e o idealismo do altruísmo derivam-se diretamente do impulso dado pelo espírito divino residente na mente humana.

(1133.7) 103:5.2 Essa idéia-ideal de fazer o bem aos outros — o impulso de negar o ego, de algum modo, para o benefício do próximo — inicialmente é muito circunscrita. O homem primitivo considera como próximo apenas aqueles que estão mesmo muito próximos dele, aqueles que o tratam com boa vizinhança; à medida que a civilização avança, o conceito que se tem de semelhante expande-se, até abranger o clã, a tribo, a nação. E então Jesus ampliou a noção de próximo, de modo a abranger o todo da humanidade, chegando, mesmo, ao ponto em que deveríamos amar até mesmo os nossos inimigos. E há alguma coisa dentro de todo o ser humano normal, a qual diz a ele que esse ensinamento é moral — o certo. E, mesmo aqueles que praticam esse ideal, ainda que minimamente, admitem que o mesmo esteja certo, em teoria.

(1134.1) 103:5.3 Todos os homens reconhecem a moralidade desse impulso universal de ser generoso e altruísta. O humanista atribui a origem desse impulso a um trabalho natural da mente material; o religioso, mais corretamente, reconhece que o impulso verdadeiramente não-egoísta da mente mortal surja como resposta às orientações espirituais interiores do Ajustador do Pensamento.

(1134.2) 103:5.4 No entanto, a interpretação do homem para tais conflitos primitivos, entre a vontade do ego e a vontade do não-ego, nem sempre é confiável. Apenas uma personalidade suficientemente bem unificada pode arbitrar sobre as disputas multiformes entre os anseios do ego e a consciência social que nasce. O eu tem direitos, do mesmo modo que o próximo os tem. E nenhum dos dois pode fazer reivindicações da atenção exclusiva e do serviço do indivíduo. O fracasso em resolver esse problema dá origem ao tipo mais primitivo de sentimento humano de culpa.

(1134.3) 103:5.5 A felicidade humana é alcançada apenas quando o desejo egoístico do eu e o impulso altruísta do eu mais elevado (o espírito divino) encontram-se coordenados e reconciliados pela vontade unificada da personalidade integradora e supervisora. A mente do homem evolucionário está sempre se confrontando com o problema intrincado que é ser o árbitro na disputa entre a expansão natural dos impulsos emocionais e o crescimento moral dos impulsos não-egoístas, baseados no discernimento espiritual — a reflexão religiosa genuína.

(1134.4) 103:5.6 A tentativa de assegurar um bem ao eu, que seja igual ao de um número maior de outros eus, apresenta um problema que não pode ser sempre resolvido satisfatoriamente em uma estrutura tempo-espacial. Durante uma vida eterna, esses antagonismos podem ser resolvidos, mas em uma curta vida humana, ficam sem solução. Jesus referiu-se a esse paradoxo, quando disse: “quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por causa do Reino, encontrá-la-á”.

(1134.5) 103:5.7 A busca de um ideal — o esforço para ser semelhante a Deus — é uma luta contínua, antes e depois da morte. A vida depois da morte não é diferente, no essencial, da existência mortal. Tudo o que fazemos nesta vida, que é bom, contribui diretamente para o engrandecimento da vida futura. A religião real não fomenta a indolência moral e a preguiça espiritual, encorajando a esperança vã de ter todas as virtudes de um caráter nobre, conferidas a alguém em conseqüência da passagem pelos portais da morte natural. A verdadeira religião não deprecia os esforços do homem de progredir durante o contrato da vida mortal. Todo ganho feito pelo mortal é uma contribuição direta para o enriquecimento dos primeiros estágios da experiência de sobrevivência imortal.

(1134.6) 103:5.8 Seria fatal para o idealismo do homem, se lhe fosse ensinado que todos os seus impulsos altruístas são meramente o desenvolvimento dos seus instintos gregários naturais. Contudo, ele é enobrecido e poderosamente energizado quando aprende que esses impulsos mais elevados da sua alma emanam de forças espirituais que residem na sua mente mortal.

(1134.7) 103:5.9 Uma vez que o homem compreenda plenamente que dentro dele vive e luta algo que é eterno e divino, isso o eleva para fora de si próprio e para além de si próprio. E assim é que uma fé viva na origem supra-humana dos nossos ideais legitima a crença de que somos filhos de Deus; e torna reais as nossas convicções altruístas, o sentimento da irmandade entre os homens.

(1134.8) 103:5.10 O homem, no seu domínio espiritual, tem livre-arbítrio. O homem mortal não é um escravo desesperado da soberania inflexível de um Deus Todo-Poderoso, nem uma vítima da fatalidade desesperada de um determinismo cósmico mecanicista. O homem é verdadeiramente o arquiteto do seu próprio destino eterno.

(1135.1) 103:5.11 O homem, porém, não é salvo nem enobrecido pela coação. O crescimento espiritual brota de dentro da alma em evolução. A pressão pode deformar a personalidade, e nunca estimula o crescimento. Até mesmo a pressão da educação só colabora negativamente, pois só pode ajudar na prevenção de experiências desastrosas. O crescimento espiritual é maior quando todas as pressões externas estão minimizadas. “Onde está o espírito do Senhor, lá está a liberdade”. O homem desenvolve-se melhor quando as pressões em sua casa, comunidade, igreja ou estado se encontram minimizadas. Isso não deve ser tomado, entretanto, como significando que em uma sociedade progressista não haja lugar para o lar, as instituições sociais, a igreja e o estado.

(1135.2) 103:5.12 Se um membro de um grupo social religioso acedeu aos requisitos desse grupo, ele deveria ser encorajado a gozar de liberdades religiosas na expressão plena de sua interpretação pessoal das verdades da crença religiosa e dos fatos da experiência religiosa. A segurança de um grupo religioso depende da unidade espiritual, não da uniformidade teológica. Um grupo religioso deveria ser capaz de gozar da liberdade de pensar livremente, sem que todos se convertam em “livres-pensadores”. Há uma grande esperança para qualquer igreja que cultue o Deus vivo, tornando válida a irmandade do homem e ousando retirar de cima dos seus membros toda a pressão de crenças.

6. A Coordenação Filosófica

(1135.3) 103:6.1 A teologia é o estudo das ações e reações do espírito humano; ela não pode jamais se tornar uma ciência, porque deve sempre ser mais ou menos combinada com a psicologia, na sua expressão pessoal, e com a filosofia, na sua descrição sistemática. A teologia é sempre um estudo da vossa religião; o estudo da religião de outrem é a psicologia.

(1135.4) 103:6.2 Quando o homem aborda o estudo e o exame do seu universo, pelo lado de fora, ele traz à existência as várias ciências físicas; quando ele aborda a pesquisa dele próprio e do universo, do seu interior, ele dá origem à teologia e à metafísica. A arte mais recente da filosofia desdobra-se em um esforço de harmonizar as muitas discrepâncias que estão destinadas a aparecer, a princípio, entre as descobertas e os ensinamentos dessas duas vias diametralmente opostas de abordagem das coisas e seres do universo.

(1135.5) 103:6.3 A religião tem a ver com o ponto de vista espiritual, a consciência do lado interno da experiência humana. A natureza espiritual do homem proporciona-lhe a oportunidade de virar o universo de fora para dentro. E, conseqüentemente, é verdade que, vista exclusivamente do lado interno da experiência da personalidade, toda a criação parece ser espiritual na sua natureza.

(1135.6) 103:6.4 Quando o homem inspeciona analiticamente o universo, por meio dos dons materiais dos seus sentidos físicos e da percepção mental a eles associada, o cosmo parece ser mecânico e composto de energias materiais. Tal técnica de estudar a realidade consiste em virar o universo de dentro para fora.

(1135.7) 103:6.5 Um conceito filosoficamente lógico e consistente do universo não pode ser elaborado sobre os postulados, quer sejam do materialismo quer sejam do espiritualismo; pois esses dois sistemas de pensamento, quando aplicados universalmente, são ambos compelidos a ver o cosmo com distorção; o primeiro, contatando um universo virado de dentro para fora, e o último, compreendendo a natureza de um universo virado de fora para dentro. Nunca, então, nem a ciência nem a religião, em si e por si próprias, permanecendo sozinhas, podem esperar conquistar uma compreensão adequada das verdades universais e das relações, sem a orientação da filosofia humana e sem a iluminação da revelação divina.

(1136.1) 103:6.6 O espírito interior do homem dependerá sempre, para a sua expressão e auto-realização, do mecanismo e da técnica da mente. Do mesmo modo, a experiência externa do homem com a realidade material, deve basear-se na consciência mental da personalidade que está experienciando. Portanto, as experiências humanas, a espiritual e a material, a interior e a exterior, estão sempre correlacionadas com a função da mente, e condicionadas, quanto à sua realização consciente, pela atividade da mente. O homem experimenta a matéria na sua mente; ele experiencia a realidade espiritual na alma, mas torna-se consciente dessa experiência na sua mente. O intelecto é o harmonizador, é o condicionador e o qualificador, sempre presentes, da soma total da experiência mortal. Ambos, as coisas da energia e os valores do espírito, quando passam ao âmbito da consciência mental, por meio da interpretação, são coloridos por esta.

(1136.2) 103:6.7 A vossa dificuldade de chegar a uma coordenação mais harmoniosa entre a ciência e a religião provém da vossa completa ignorância sobre o domínio intermediário moroncial, de coisas e de seres. O universo local consiste de três graus, ou estágios, de manifestação da realidade: o da matéria, o da morôncia e o do espírito. O ângulo moroncial de abordagem suprime todas as divergências entre as descobertas das ciências físicas e o funcionamento do espírito da religião. A razão é a técnica de entendimento das ciências; a fé, a técnica do discernimento interior aplicado à religião; a mota é a técnica do nível moroncial. A mota é uma sensibilidade à realidade supramaterial que está começando a compensar o crescimento que não se completou, tendo por substância o conhecimento-razão e por essência o discernimento clarividente da fé. A mota é uma reconciliação suprafilosófica das percepções divergentes da realidade que não é alcançável pelas personalidades materiais; ela é baseada, em parte, na experiência de haver sobrevivido à vida material na carne. No entanto, muitos mortais têm reconhecido quão desejável é ter algum método para reconciliar a interação entre os domínios vastamente separados da ciência e da religião; e a metafísica é o resultado da tentativa infrutífera do homem de ligar esse hiato bem conhecido. E a metafísica humana trouxe mais confusão do que iluminação. A metafísica equivale ao esforço bem-intencionado, mas fútil, de compensar a ausência da mota moroncial.

(1136.3) 103:6.8 A metafísica tem-se revelado como sendo um fracasso; a mota, o homem não a pode perceber. A revelação é a única técnica que pode, em um mundo material, compensar pela ausência da verdadeira sensibilidade da mota. A revelação esclarece, com toda a autoridade, a desordem da metafísica desenvolvida pela razão em uma esfera evolucionária.

(1136.4) 103:6.9 A ciência é a tentativa do homem de estudar o seu meio ambiente físico, o mundo da energia-matéria; a religião é a experiência do homem, no cosmo, com os valores do espírito; a filosofia tem sido desenvolvida pelo esforço da mente humana de organizar e correlacionar as descobertas desses conceitos bastante distantes em uma atitude razoável e unificada para com o cosmo. A filosofia, elucidada pela revelação, funciona aceitavelmente na ausência da mota e na presença do desarranjo e do fracasso do raciocínio humano substituto da mota — a metafísica.

(1136.5) 103:6.10 O homem primitivo não diferenciava entre os níveis da energia e os níveis do espírito. A raça violeta e os seus sucessores anditas é que tentaram, pela primeira vez, separar os fatores matemáticos dos volicionais. E o homem civilizado cada vez mais seguiu os passos dos sumérios e dos primeiros gregos que distinguiram entre o inanimado e o animado. E, à medida que a civilização faz progressos, a filosofia terá que interligar os abismos, que se ampliam, entre o conceito de espírito e o conceito de energia. Contudo, no tempo do espaço, essas divergências são unificadas no Supremo.

(1137.1) 103:6.11 A ciência deve estar sempre fundamentada na razão, embora a imaginação e a conjectura colaborem na ampliação das suas fronteiras. A religião é, para sempre, dependente da fé, embora a razão seja uma influência estabilizadora e uma criada útil da fé. E sempre tem havido, como sempre haverá, interpretações enganosas dos fenômenos, tanto do mundo natural, quanto do espiritual, da parte das ciências e das religiões, assim falsamente denominadas.

(1137.2) 103:6.12 Partindo do seu alcance incompleto na ciência, do apoio débil que tem na religião, e das suas tentativas abortadas de fazer metafísica, o homem tem intentado elaborar as suas formulações da filosofia. E o homem moderno, de fato, construiria uma filosofia atraente e que valesse a pena, para si próprio e para o seu universo, não fora pelo colapso da sua todo-importante e indispensável conexão metafísica entre os mundos da matéria e do espírito; não fora o fracasso que a metafísica experimentou ao tentar criar uma ponte para ligar o abismo moroncial existente entre o físico e o espiritual. Falta ao homem mortal o conceito da mente moroncial e da matéria moroncial; e a revelação é a única técnica que compensa essa deficiência de dados conceituais de que o homem necessita, tão urgentemente, para construir uma filosofia lógica do universo e para chegar a uma compreensão satisfatória de que o seu lugar esteja seguro, certo e estabelecido nesse mesmo universo.

(1137.3) 103:6.13 A revelação é a única esperança que o homem evolucionário tem de vencer o abismo moroncial. A fé e a razão, não ajudadas pela mota, não podem conceber e construir um universo lógico. Sem a clarividência da mota, o homem mortal não pode discernir bondade, amor e verdade nos fenômenos do mundo material.

(1137.4) 103:6.14 Quando a filosofia do homem pende pesadamente para o mundo da matéria, ela torna-se racionalista ou naturalista. Quando a filosofia inclina-se especialmente para o nível espiritual, ela torna-se idealista ou até mística. Quando a filosofia cai na infelicidade de apoiar-se na metafísica, ela torna-se infalivelmente cética e confusa. Nas idades passadas, a maioria dos conhecimentos e avaliações intelectuais do homem caiu em uma dessas três distorções de percepção. Que a filosofia não ouse projetar as suas interpretações da realidade à moda linear da lógica; é preciso que ela tenha sempre em conta a simetria elíptica da realidade e a curvatura essencial da relação entre todos os conceitos.

(1137.5) 103:6.15 A mais elevada das filosofias alcançáveis pelo homem mortal deve basear-se logicamente na razão da ciência, na fé da religião e no discernimento da verdade propiciados pela revelação. Por meio desse recurso de união, o homem pode compensar um pouco da sua impotência para desenvolver uma metafísica adequada e um pouco da sua incapacidade de compreender a mota da morôncia.

7. Ciência e Religião

(1137.6) 103:7.1 A ciência é sustentada pela razão, a religião pela fé. Embora não se baseie na razão, a fé é razoável; e, embora seja independente da lógica, nem por isso ela deixa de ser encorajada pela prudência sadia dessa lógica. A fé não pode ser nutrida nem mesmo por uma filosofia ideal; de fato, ela é, junto com a ciência, a fonte mesma dessa filosofia. A fé, o discernimento religioso interior do ser humano, pode certamente ser instruída apenas pela revelação; e pode certamente ser elevada apenas pela experiência mortal pessoal, com a presença espiritual do Ajustador do Deus que é espírito.

(1137.7) 103:7.2 A verdadeira salvação é a técnica da evolução divina da mente mortal escapando da identificação com a matéria, por intermédio dos reinos da ligação moroncial ao status elevado de correlação espiritual no universo. E, do mesmo modo que o instinto material da intuição precede ao surgimento do conhecimento, pelo raciocínio na evolução terrestre, também, no superno programa da evolução celeste, a manifestação do discernimento espiritual intuitivo pressagia o aparecimento futuro da razão e da experiência moroncial e, em seguida, espiritual; trabalho este que é feito pela transmutação dos potenciais do homem temporal na factualidade e na divindade do homem, o eterno, um finalitor do Paraíso.

(1138.1) 103:7.3 Contudo, à medida que o homem ascendente avança para o interior e na direção do Paraíso, para a experiência de Deus, ele estará, do mesmo modo, avançando para fora e na direção do espaço, na busca de uma compreensão, em termos de energia, do cosmo material. O progresso da ciência não está limitado à vida terrestre do homem; a sua experiência de ascensão no universo e no superuniverso será, em um grau elevado, o estudo da transmutação da energia e da metamorfose material. Deus é espírito, mas a Deidade é unidade, e a unidade da Deidade não apenas abraça os valores espirituais do Pai Universal e do Filho Eterno, pois é também conhecedora dos fatos sobre a energia do Controlador Universal e da Ilha do Paraíso. Ao mesmo tempo, essas duas últimas fases da realidade universal estão perfeitamente correlacionadas nas relações de mente do Agente Conjunto, e também unificadas no nível finito na Deidade emergente do Ser Supremo.

(1138.2) 103:7.4 A união da atitude científica e do discernimento religioso, pela intermediação da filosofia experiencial, é parte da longa experiência de ascensão do homem ao Paraíso. As aproximações da matemática e as certezas que vêm do discernimento interior sempre requerem a função harmonizadora da lógica da mente em todos os níveis da experiência anteriores ao da realização máxima do Supremo.

(1138.3) 103:7.5 No entanto, a lógica nunca pode ter êxito em harmonizar as descobertas da ciência com os achados do discernimento da religião, a menos que tanto o aspecto científico quanto o religioso, de uma personalidade, estejam comandados pela verdade, sinceramente desejosos de seguir a verdade, aonde quer que esta possa conduzir, independentemente das conclusões que possa alcançar.

(1138.4) 103:7.6 A lógica é a técnica da filosofia, o seu método de expressão. Dentro do domínio da verdadeira ciência, a razão é sempre acessível à lógica genuína; dentro do domínio da verdadeira religião, a fé é sempre lógica, se se tomar como base um ponto de vista interior, mesmo que tal fé possa parecer totalmente infundada, do ponto de vista de fora para dentro da abordagem científica. Do exterior, olhando para o interior, o universo pode parecer material; do interior, olhando para o exterior, o mesmo universo parece ser totalmente espiritual. A razão surge da consciência material, a fé, da consciência espiritual, no entanto, pela intermediação de uma filosofia fortalecida pela revelação, a lógica pode confirmar tanto a visão interior quanto a visão exterior, efetivando, por meio delas, a estabilização não apenas da ciência como da religião. Assim, por intermédio do contato comum com a lógica da filosofia, a ciência e a religião podem ambas vir a ser tolerantes uma com a outra, de um modo cada vez menos cético.

(1138.5) 103:7.7 A ciência e a religião em desenvolvimento necessitam, ambas, de uma autocrítica mais penetrante e destemida, de uma consciência maior de estarem incompletas em seu estado de evolução. Os educadores, tanto da ciência quanto da religião, freqüentemente ficam ao mesmo tempo autoconfiantes e dogmáticos em excesso. A ciência e a religião podem apenas ser autocríticas sobre os seus próprios fatos. O momento de partida se faz real no estágio do fato, a razão abdica-se ou, então, degenerar-se-á rapidamente em uma parceira da lógica falsa.

(1138.6) 103:7.8 A verdade — uma compreensão das relações cósmicas, dos fatos do universo e dos valores espirituais — pode ser mais bem obtida por intermédio da ministração do Espírito da Verdade e ser mais bem criticada pela revelação. A revelação, porém, não dá origem nem a uma ciência, nem a uma religião; a sua função é coordenar a ambas, à ciência e à religião, com a verdade da realidade. Na ausência da revelação, ou quando o homem mortal não a aceita ou não a compreende, ele tem sempre recorrido ao gesto fútil da sua metafísica, sendo esta a substituta humana única da revelação da verdade ou da mota da personalidade moroncial.

(1139.1) 103:7.9 A ciência do mundo material capacita o homem a controlar e a dominar, dentro de limites, o seu meio ambiente físico. A religião e a sua experiência espiritual é a fonte do impulso da fraternidade que possibilita ao homem viver em conjunto, em meio às complexidades da civilização de uma idade científica. A metafísica, mas muito mais seguramente a revelação, proporciona um terreno comum de confluência para as descobertas tanto da ciência quanto da religião, e torna possível a tentativa humana de correlacionar logicamente esses domínios separados, porém, interdependentes, do pensamento, em uma filosofia bem equilibrada de estabilidade científica e de certeza religiosa.

(1139.2) 103:7.10 Durante o estado mortal, nada pode ser provado de um modo absoluto; tanto a ciência quanto a religião são pregadas com base em conjecturas. No nível moroncial, os postulados da ciência, bem como os da religião, tornam-se capazes de comprovação parcial, por intermédio da lógica da mota. No nível espiritual de status máximo, a necessidade de provas finitas gradualmente dissipa-se diante da experiência factual da realidade e com a realidade; mas, mesmo então, muito há para além do finito que continua sem comprovação.

(1139.3) 103:7.11 Todas as divisões do pensamento humano são baseadas em alguns pressupostos que são aceitos, ainda que sem comprovação, pela sensibilidade que constitui a realidade da dotação da mente do homem. A ciência começa na sua carreira de raciocínios, tão cheios de vanglórias, pressupondo a realidade de três coisas: matéria, movimento e vida. A religião parte do pressuposto que é o da validade de três coisas: a mente, o espírito e o universo — o Ser Supremo.

(1139.4) 103:7.12 A ciência transforma-se no domínio do pensamento das matemáticas, da energia e da matéria, no tempo e no espaço. A religião assume lidar não apenas com o espírito finito e temporal, mas também com o espírito, na eternidade e na supremacia. Apenas por intermédio de uma experiência longa na mota é que esses dois extremos da percepção do universo podem ser levados a produzir interpretações análogas das origens, funções, relações, realidades e destinos. A harmonização máxima da divergência entre energia e espírito dá-se com a entrada no circuito dos Sete Espíritos Mestres; e a primeira unificação, a partir daí, dá-se na Deidade do Supremo; a unidade de finalidade que vem a seguir, então, dá-se na infinitude da Primeira Fonte e Centro, o EU SOU.

(1139.5) 103:7.13 A razão é o ato de reconhecimento das conclusões da consciência, em relação à experiência com e no mundo físico da energia e da matéria. A é o ato de reconhecimento da validade da consciência espiritual — algo que não é susceptível de outra comprovação para os mortais. A lógica é a progressão sintética da busca da verdade na unidade da fé e da razão e é baseada nas dotações de mente inerentes aos seres mortais, o reconhecimento inato de coisas, significados e valores.

(1139.6) 103:7.14 Há uma prova factual da realidade espiritual, na presença do Ajustador do Pensamento, mas a validade dessa presença não é demonstrável para o mundo externo, apenas o é para aquele que tem essa experiência da presença da residência de Deus. A consciência da presença do Ajustador é baseada na recepção intelectual da verdade, na percepção supramental da bondade e na motivação da personalidade para amar.

(1139.7) 103:7.15 A ciência descobre o mundo material, a religião faz uma estimativa do seu valor e a filosofia tenta interpretar os seus significados, ao coordenar o ponto de vista científico-material com o conceito religioso-espiritual. A história, entretanto, é um domínio dentro do qual a ciência e a religião podem nunca estar concordando totalmente.

8. Filosofia e Religião

(1140.1) 103:8.1 Embora a ciência e a filosofia possam ambas assumir a probabilidade de Deus existir, por meio da lógica e da razão próprias delas, apenas a experiência religiosa pessoal de um homem, ao ser conduzido pelo espírito, pode afirmar a certeza dessa Deidade suprema e pessoal. Pela técnica dessa encarnação da verdade viva, a hipótese filosófica da probabilidade de Deus transforma-se em uma realidade religiosa.

(1140.2) 103:8.2 A confusão acerca da experiência com a certeza de Deus nasce das interpretações e das relações discordantes entre as experiências provenientes de indivíduos isolados e de raças diferentes de homens. A experiência de Deus pode ser integralmente válida, mas os discursos sobre Deus são intelectuais e filosóficos, e por isso podem ser divergentes e, muitas vezes, confusamente falaciosos.

(1140.3) 103:8.3 Um homem bom e nobre pode amar de um modo consumado à sua esposa, mas pode ser totalmente incapaz de passar satisfatoriamente em um exame escrito sobre a psicologia do amor marital. Outro homem, tendo pouco ou nenhum amor pela sua esposa, poderia passar nesse exame de um modo bastante aceitável. A imperfeição do discernimento daquele que ama sobre a verdadeira natureza do ser amado em nada invalida, seja a realidade, seja a sinceridade do seu amor.

(1140.4) 103:8.4 Se vós realmente acreditais em Deus — se o amais e se o conheceis pela fé — , não permitais que a realidade dessa experiência seja, de nenhum modo, depreciada ou prejudicada pelas insinuações de dúvida vindas da ciência, da objeção capciosa da lógica, dos postulados da filosofia, ou das sugestões espertas de almas que, ainda que bem-intencionadas, querem criar uma religião sem Deus.

(1140.5) 103:8.5 A certeza que tem o religioso conhecedor de Deus não deveria ser perturbada pela incerteza do materialista que duvida; antes, a fé profunda e a certeza inabalável nas experiências do crente é que deveriam lançar um profundo desafio à incerteza dos descrentes.

(1140.6) 103:8.6 Se a filosofia quisesse prestar um serviço maior à ciência tanto quanto à religião, deveria evitar tanto os extremos do materialismo quanto os do panteísmo. Apenas uma filosofia que reconhece a realidade da personalidade — a permanência, em presença da mudança — pode ser de valor moral para o homem, pode servir como ligação entre as teorias da ciência material e da religião espiritual. A revelação é uma compensação para as fragilidades da filosofia em evolução.

9. A Essência da Religião

(1140.7) 103:9.1 A teologia lida com o conteúdo intelectual da religião; a metafísica (e a revelação) com os seus aspectos filosóficos. A experiência religiosa é o conteúdo espiritual da religião. Não obstante os caprichos mitológicos e as ilusões psicológicas, no conteúdo intelectual da religião, os pressupostos metafísicos de erro e as técnicas de auto-enganação, as distorções políticas e as perversões socioeconômicas do conteúdo filosófico da religião, a experiência espiritual da religião pessoal permanece genuína e válida.

(1140.8) 103:9.2 A religião tem a ver com o sentimento, com a ação e a vivência, não meramente com o pensamento. O pensar é relacionado mais de perto com a vida material e deveria estar, principalmente, mas não totalmente, dominado pela razão e pelos fatos da ciência e, nos seus alcances não-materiais, até os reinos do espírito, pela verdade. Não importa quão ilusória e errônea seja a teologia de alguém, a sua religião pode ser totalmente genuína e verdadeira para sempre.

(1141.1) 103:9.3 O budismo, na sua forma original, é uma das melhores religiões sem um Deus, entre as que já surgiram em toda a história evolucionária de Urântia, embora, ao se desenvolver, essa fé não tenha permanecido sem um deus. A religião sem fé é uma contradição; sem Deus, é uma inconsistência filosófica e um absurdo intelectual.

(1141.2) 103:9.4 A paternidade mágica e mitológica da religião natural não invalida a realidade e a verdade das religiões reveladoras posteriores, nem o consumado evangelho da salvação da religião de Jesus. A vida e os ensinamentos de Jesus finalmente livraram a religião das superstições da magia, das ilusões da mitologia e da prisão do dogmatismo da tradição. Contudo, a magia e a mitologia primitivas prepararam, muito efetivamente, o caminho para a religião superior subseqüente, assumindo a existência e a realidade dos valores e dos seres supramateriais.

(1141.3) 103:9.5 Embora a experiência religiosa seja um fenômeno subjetivo puramente espiritual, essa experiência abrange uma atitude positiva e vivencial de fé para com os reinos mais elevados da realidade objetiva do universo. O ideal da filosofia religiosa é essa fé-confiança que leva o homem irrestritamente a depender do amor absoluto do Pai infinito do universo dos universos. Tal experiência religiosa genuína em muito transcende à objetivação filosófica do desejo idealista; de fato, ela toma a salvação como garantida e preocupa-se apenas em aprender a cumprir a vontade do Pai do Paraíso. Os sinais dessa religião são: a fé em uma Deidade suprema, a esperança na sobrevivência eterna, e o amor, especialmente o dos semelhantes.

(1141.4) 103:9.6 Quando a teologia chega a ter a religião sob controle e mestria, a religião morre engolfada; torna-se uma doutrina, em vez de uma coisa viva. A missão da teologia é meramente facilitar a autoconsciência da experiência espiritual pessoal. A teologia constitui o esforço religioso para definir, elucidar, expor e justificar as proposições experienciais da religião, que, em última análise, apenas podem ser validadas pela fé viva. Na filosofia mais elevada do universo, a sabedoria, como a razão, torna-se uma aliada da fé. Razão, sabedoria e fé são realizações das mais elevadas do homem. A razão introduz o homem no mundo dos fatos, das coisas; a sabedoria o introduz no mundo da verdade, das relações; a fé inicia-o em um mundo de divindade, de experiência espiritual.

(1141.5) 103:9.7 A fé leva voluntariamente a razão tão longe quanto a razão pode ir e continua com a sabedoria até o limite filosófico pleno; e então ela ousa lançar-se na viagem interminável e sem limites do universo, na companhia apenas da verdade.

(1141.6) 103:9.8 A ciência (o conhecimento) funda-se na suposição inerente (do espírito ajudante) de que a razão seja válida, de que o universo pode ser compreendido. A filosofia (a compreensão coordenada) funda-se na suposição inerente (do espírito da sabedoria) de que a sabedoria seja válida, de que o universo material possa ser coordenado ao espiritual. A religião (a verdade da experiência espiritual pessoal) funda-se na suposição inerente (do Ajustador do Pensamento) de que a fé seja válida, de que Deus pode ser conhecido e alcançado.

(1141.7) 103:9.9 A realização plena da realidade da vida mortal consiste em uma vontade progressiva de acreditar nessas suposições da razão, da sabedoria e da fé. Tal vida é motivada pela verdade e dominada pelo amor; e esses são os ideais da realidade cósmica objetiva, cuja existência não pode ser materialmente demonstrada.

(1142.1) 103:9.10 Uma vez que a razão reconhece o certo e o errado, ela demonstra sabedoria; quando a sabedoria escolhe entre o certo e o errado, entre a verdade e o erro, ela evidencia haver sido conduzida pelo espírito. E, assim, são as funções da mente, da alma e do espírito, sempre unidas intimamente e interassociadas funcionalmente. A razão lida com o conhecimento factual; a sabedoria, com a filosofia e com a revelação; a fé, com a experiência espiritual viva. Por intermédio da verdade, o homem alcança a beleza; pelo amor espiritual, ascende à bondade.

(1142.2) 103:9.11 A fé conduz ao conhecimento de Deus, não meramente a um sentimento místico da presença divina. A fé não deve ser excessivamente influenciada pelas suas conseqüências emocionais. A verdadeira religião é uma experiência de crer e conhecer, tanto quanto uma satisfação de sentimento.

(1142.3) 103:9.12 Há uma realidade na experiência religiosa que é proporcional ao seu conteúdo espiritual, e tal realidade transcende à razão, à ciência, à filosofia, à sabedoria e a todas as outras realizações humanas. As convicções de tal experiência são incontestáveis; a lógica da vivência religiosa é incontroversa; a certeza desse conhecimento é supra-humana; as satisfações que advêm são magnificamente divinas; a coragem, indomável; as devoções, inquestionáveis; as lealdades, supremas; e os destinos, finais — eternos, últimos e universais.


(1142.4) 103:9.13 [Apresentado por um Melquisedeque de Nébadon.]

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